Petrônio e as Criaturas lança nesta sexta (31) o EP Mergulho Ao Vivo
Petrônio e as Criaturas lança nesta sexta (31) o EP Mergulho Ao Vivo

Petrônio e Rama Om. Foto: Priscila Ribeiro
Com seis canções remixadas e remasterizadas, trabalho atravessa o rock psicodélico, as raízes nordestinas e letras de forte conteúdo político e poético
Nesta sexta-feira (31), Petrônio e as Criaturas lança nas plataformas digitais o EP Mergulho Ao Vivo. Versão ampliada do álbum homônimo lançado em estúdio, em 2021, o novo trabalho nasceu de um momento improvável: uma live transmitida pelo YouTube durante a pandemia de covid-19.
A apresentação revelou interpretações espontâneas e uma qualidade de áudio tão marcante que o registro acabou se transformando em disco. “Como o áudio da live e a interpretação das canções ficaram com uma excelente qualidade, veio a necessidade de aproveitar o momento espontâneo do som para remixar e remasterizar algumas das canções que foram executadas”, explica Fernando S., produtor musical responsável pelo projeto.
Para Petrônio, o fator decisivo para o lançamento foi a visceralidade das performances. “Talvez porque estivéssemos no claustro da pandemia. O importante é que o registro afirma a pujança do repertório”, afirma o compositor.
O resultado é um EP de sonoridade orgânica, construído a partir do diálogo entre a voz metálica de Petrônio Lorena e o violão de 12 cordas de Rama Om — multi-instrumentista, arranjadora e compositora que integra as Criaturas desde 2016. Com passagens por violão de 8 cordas, violino, guitarra, viola de 12 cordas, djeridu, gaita e marimba, Rama acentua o lado jazzístico da banda e cria uma textura que ultrapassa as expectativas de um registro ao vivo convencional.
O repertório percorre diferentes paisagens sonoras, unidas pela identidade que marca Petrônio e as Criaturas: o rock psicodélico de forte influência nordestina.
Troglodita é um rock cru e visceral, uma reação aos comportamentos violentos estimulados por ideologias de orientação fascista em diferentes camadas da sociedade brasileira. Já Os Olhos Secos de Biu, inspirada no poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, está entre as primeiras composições de Petrônio, escrita em 1995. A faixa aborda a acomodação de grupos sociais explorados pelas grandes corporações político-familiares do interior do Brasil.
Em um clima mais contemplativo, Voador e Desenhos de Nuvens conduzem o ouvinte por lembranças da infância do compositor em Serra Talhada, no Sertão pernambucano. As duas canções também integram projetos cinematográficos de Petrônio: Desenhos de Nuvens faz parte da trilha de O Silêncio da Noite é que tem sido testemunha das minhas amarguras (2016), enquanto Voador integra Nascente, longa-metragem atualmente em produção. Ambos os filmes são dirigidos por Petrônio Lorena.
Parceria com Juba Pires, trombonista da Orquestra Voadora, Cogumelo Secular surpreende ao apresentar personagens como um casal de duendes e um saci de três pernas. Sob a aparência lúdica, a canção abriga uma letra de forte teor anti-imperialista, embalada por uma musicalidade de raiz celta em interpretação psicodélica.
Encerrando o EP, Chão de Caramelo é uma parceria com o compositor carioca Jeff Chagas. Escrita em 1998 e já gravada pela banda Balaio, a faixa encerra o trabalho da mesma forma que abre os shows de Petrônio e as Criaturas: como um ritual de chegada.
Ao revisitar composições de diferentes momentos da carreira, Petrônio reflete: “Os sentimentos permanecem, alguns a gente guarda e outros ficam sempre à vitrine. Acho que é isso que acontece quando a gente revisita a obra. É uma forma também de se ter uma dimensão do que o conjunto da obra representa.”
Sobre Petrônio Lorena
Petrônio Lorena é músico e cineasta. Paralelamente à trajetória com Petrônio e as Criaturas, desenvolve desde 2004 uma carreira consolidada no cinema autoral como diretor e roteirista, com foco no documentário antropológico de linguagem experimental.
Suas composições e temas instrumentais integram projetos audiovisuais premiados no Brasil e no exterior, entre eles os longas-metragens O Silêncio da Noite é que tem sido testemunha das minhas amarguras (2016) e Sapato 36 (2021), ambos dirigidos por ele; Paterno (2025), de Marcelo Lordello; Flutuantes (2012), de Rodrigo Savastano; La Cama, da diretora argentina Mónica Lairana; e a série Ovos da Raposa (2019), de Valdir Oliveira.
Serviço
EP: Mergulho Ao Vivo
Artista: Petrônio e as Criaturas
Lançamento: nesta sexta-feira, 31 de julho de 2026
Disponibilidade: principais plataformas de streaming
Link: tratore.ffm.to/mergulhoaovivo
