Quando o filho precisa cuidar da mãe: cineasta transforma memórias da infância em curta-metragem

 Quando o filho precisa cuidar da mãe: cineasta transforma memórias da infância em curta-metragem

Filmado na Baixada Fluminense, “Pai da Minha Mãe” revisita a infância de seu diretor em uma ficção sobre maternidade, esquizofrenia e amadurecimento precoce

Há crianças que crescem aprendendo a ser cuidadas. Outras descobrem cedo demais o que significa cuidar de alguém. É dessa inversão de papéis que nasce Pai da Minha Mãe, curta-metragem escrito e dirigido por Otávio de Olliveira Fontes, cineasta de Nilópolis, na
Baixada Fluminense. Inspirado em experiências de sua própria infância, o filme transforma memórias familiares em uma narrativa sobre afeto, responsabilidade e amadurecimento precoce.

A história acompanha Davi, um menino de dez anos que vive com Rosa, sua mãe. Durante uma mudança de casa, uma crise de saúde mental interrompe a rotina dos dois e modifica silenciosamente os papéis daquela relação. Com a mãe atravessando uma crise de saúde mental, a criança passa a assumir responsabilidades para as quais ainda não estava preparada.

Mas, apesar de abordar a esquizofrenia, o filme não pretende definir seus personagens pela doença. O centro da narrativa está na relação entre mãe e filho e nas formas de afeto que persistem mesmo quando a vida cotidiana se torna instável.

Filmado em Nilópolis, Pai da Minha Mãe retorna ao espaço onde seu diretor cresceu. A Baixada Fluminense deixa de ser apenas o cenário da história e passa a integrar a memória afetiva que sustenta a obra. O filme acompanha o cotidiano de Davi e Rosa durante um período de mudanças na vida familiar. A partir da perspectiva do menino, o curta apresenta situações que envolvem a convivência com a mãe, os desafios provocados por sua condição de saúde e as responsabilidades que surgem precocemente na infância. A atriz Raquel Villar (Emergência 53 e Dom) interpreta Rosa, enquanto Duduzinho Rocha faz sua estreia no cinema interpretando Davi. O curta foi produzido pela Escritório Filmes, por meio do edital Sesc Pulsar.

As experiências que inspiraram Pai da Minha Mãe dialogam com diferentes realidades familiares brasileiras. Segundo o Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 7,8 milhões de mulheres viviam com seus filhos sem a presença de cônjuge ou outros parentes. O levantamento evidencia a dimensão das famílias monoparentais femininas no país, nas quais a maternidade e as responsabilidades familiares assumem diferentes configurações.

Outro aspecto abordado pelo filme é a convivência familiar com a esquizofrenia, condição que afeta aproximadamente 27 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Além de seus impactos na vida de quem recebe o diagnóstico, o transtorno pode provocar mudanças nas relações familiares e nas dinâmicas de cuidado, tornando importante o acesso ao acompanhamento em saúde mental e às redes de apoio.

É nesse encontro entre maternidade, infância e saúde mental que se situa a história de Pai da Minha Mãe. Inspirado nas memórias de seu diretor, o curta transforma uma experiência pessoal em ficção, acompanhando a relação entre uma mãe e seu filho diante das mudanças que atravessam o cotidiano familiar. Pai da Minha Mãe iniciou sua trajetória de distribuição pela Porto Bello Filmes, com inscrições em festivais nacionais e internacionais.

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