Monica Casagrande ressignifica clássico de Rita Lee em clipe que celebra a autonomia feminina
Monica Casagrande ressignifica clássico de Rita Lee em clipe que celebra a autonomia feminina

Com direção criativa de Di Tateishi e Nora Jasmin, o clipe amplia visualmente essa narrativa ao transformar um dos símbolos mais emblemáticos da trajetória de Rita Lee em eixo central da obra. O vestido de noiva associado à cantora aparece como elemento de ressignificação e autonomia. Longe de representar casamento ou qualquer ideal convencional de feminilidade, a peça surge como metáfora da liberdade de escolher o próprio caminho.
“Dentro de Corpo Coral, essa música representa o momento em que a mulher assume sua própria narrativa e faz escolhas por si mesma. Existe humor, leveza e irreverência na canção, mas também uma afirmação profunda de autonomia”, explica Monica.
A escolha do figurino dialoga diretamente com a história de Rita Lee. O vestido ficou conhecido nacionalmente após ser incorporado ao imaginário visual da artista, que o utilizou em apresentações e registros fotográficos, transformando uma peça tradicionalmente associada ao casamento em um gesto de irreverência e independência. No clipe, a referência não aparece como reprodução literal, mas como incorporação simbólica da atitude que Rita ajudou a consolidar na cultura brasileira.
Musicalmente, a releitura conduz a canção para um território que aproxima jazz e música brasileira. Inspirado em álbuns como On the Corner e Kind of Blue, de Miles Davis, o arranjo combina atmosfera contemplativa, improvisação e pulsação rítmica. A percussão de Lan Lahn adiciona força orgânica à gravação, enquanto os solos de trompete de Guta Menezes e saxofone de Denize Rodrigues ampliam a sensação de liberdade que atravessa toda a faixa.
“O que me chamou atenção ao revisitar essa música foi perceber como sua mensagem continua atual. Existe nela uma afirmação muito simples e poderosa: a ideia de que felicidade, realização e liberdade não dependem da validação de ninguém”, comenta a cantora.
O lançamento também marca uma nova etapa na trajetória de Monica Casagrande. Após quatro discos autorais, a artista passa a explorar a interpretação como gesto criativo central de sua produção. Em Corpo Coral, cada faixa representa um estágio de transformação feminina, articulando voz, corpo e imagem em uma narrativa que atravessa temas como resistência, desejo, liberdade, autorreconhecimento, cura e renascimento.
A releitura de “Agora Só Falta Você” sintetiza uma das ideias centrais de Corpo Coral: estabelecer um diálogo entre diferentes gerações de artistas e manter vivo o legado de mulheres que transformaram a música brasileira.
“Interpretar essas canções foi uma experiência de habitar, ainda que por alguns instantes, os universos que elas construíram. Cada figurino, cada gesto e cada escolha estética aproximavam essa conversa entre a artista que eu sou e as artistas que me formaram”, afirma Monica Casagrande.
SOBRE MONICA CASAGRANDE
Monica Casagrande é cantora e intérprete com trajetória marcada por projetos autorais que articulam música, narrativa e pesquisa estética. Em Corpo Coral, seu quinto trabalho de estúdio, desloca o foco da composição para a interpretação, tratando o repertório de outras artistas como espaço de criação, reinvenção e diálogo entre diferentes gerações de mulheres. O projeto reúne canções de nomes como Rita Lee, Marina Lima, Angela Ro Ro, Gal Costa, Nina Simone e Etta James em uma experiência que conecta jazz, MPB, soul, blues e audiovisual.
Direção criativa: Di Tateishi e Nora Jasmin
Direção de fotografia: Victor Silva
Edição: Pedro de Braud
Styling: Luciano Bertolotti
Beleza: Liegi Wisniewski e equipe
Cenografia: Gabriel Gombossy
Coreografia: Calu Martins
Bailarinas: Calu Martins e Belle Delmondes
Estúdio: Bolha Films
