Música

Macunamassa lança Fissura, terceiro álbum da carreira

Gravado ao vivo e em um único take, Fissura é o álbum mais pesado do power trio de Escada/PE

Mesmo no meio de um não-carnaval, a Macunamassa garantiu a folia de muita gente: Fissura, terceiro álbum da banda, está no ar nas plataformas de streaming de música aqui neste link. O disco foi liberado na “terça-feira gorda”, 1º de março, e foi gravado em uma só tacada no HS Studio, em Escada/PE, Zona da Mata Sul, cidade de origem da banda.

O grupo, que é reconhecido pela presença de palco marcante e por mesclar diferentes influências na sua musicalidade,  levou essa energia para o estúdio. Com 4 faixas, Fissura foi gravado ao vivo, em um único take, recebendo acréscimo apenas de uma segunda guitarra, como overdub, para dar corpo à produção. “Se errássemos, voltávamos para a primeira faixa, para fazer tudo ao vivo do zero”, lembra o designer e baterista João Marinho Chinaski.

Com o lema “rock instrumental, etc e tal”, a trajetória do Macuna é marcada pela criação que privilegia faixas instrumentais em detrimento de canções, e costuma flertar com diversos gêneros: Punk, Funk, Soul, Metal, Grunge, Garage e Space Rock são alguns dos principais. No entanto, em Fissura, o recorte de sons mais pesados e ríspidos são a tônica.

Fissura e a pandemia

“Inicialmente, era pra ser um álbum mais dançante. A gente estava se reunindo aqui em casa para criar um EP de Soul e Funk, mas com a pandemia precisamos nos isolar, veio o aumento do caos político, social e de saúde, e nós fomos pesando a mão, até perceber que o repertório dançante não cabia mais ali”, destaca João Marinho.

Com a ambiência pandêmica transformando a energia do disco, o trabalho se consolida como o mais pesado do Macunamassa. Carregado de fuzzes e drives, Fissura tem base no Stoner Metal e passeia pelo Punk e pitadas de Noise. “O disco é um grito de basta contra esse caos do país; é pra ser um soco no estômago da galera”, enfatiza Tomás Azevedo, vocalista e guitarrista da banda.

O som, no entanto, não foi o único a sofre mudanças com a pandemia. O próprio processo de produção precisou ser adaptado, com períodos de afastamento e encontros pontuais (com cuidados sanitários) para ensaio e gravação. “Tivemos pouquíssimos encontros para ensaiar e gravar, tomando todos os cuidados, mas isso acabou somando a nova proposta de fazer um disco rápido e direto”, avalia Tomás.

Referências do Macunamassa e valorização do local

Para quem gosta de bandas como Boris, Melvins e Church of Misery, o lançamento “macunístico” é um prato cheio. São 4 faixas e pouco mais de 21 minutos de um som denso como um grito de fúria por um novo momento com segurança alimentar, social e sanitária, na fissura por novos tempos e volta plena aos palcos. Todas as composições são criação coletiva do trio (Tomás Azevedo, Thiago Thardelli e João Marinho Chinaski), que também assina a produção.

A gravação e mixagem foram inteiramente realizadas com profissionais de Escada/PE, privilegiando a cadeia produtiva local da Zona da Mata Sul, e são encabeçadas por Hilquias Souza, fundador do HS Studio. O lançamento tem apoio do selo independente Esperantivo – Casa, Comida e Cultura na distribuição e promoção.

Faixa a faixa

1. Barril

O álbum abre com a energia Punk de “Barril”, ríspida, rápida, curta e direta. Fuzz na guitarra, bateria cadenciada e o refrão “Cuidado! Cuidado! Na esquina podem confundir você”. Ela inicia o trabalho como um golpe de surpresa para preparar o caminho para a faixa seguinte.

2. Odisseia

Odisseia modula a energia de maior BPM da abertura com um som mais pesado, dividido em três seções que são, cada uma, variações em torno de um riff básico. Instrumental com uma pegada Stoner Metal / Heavy Rock e mais presença de groove e viradas na bateria, é a faixa mais longa do álbum, com pouco mais de 9 minutos. Tem baixos marcantes em seções importantes de transição e é a faixa de destaque em nossa avaliação.

3. Planet Beer

O som mais arrastado, característico do Stoner / Doom Metal, vem com Planet Beer. Grande pedida para fãs de bandas como Bongzilla, é cantada em portugês, apesar do título em inglês, e traz o lado escapista da relação com a pandemia. A busca de que “talvez exista um Planet Beer, de ‘água amarela’ e onde a comida brota no jardim”. Traz o vocal arrastado e rouco de Tomás em quase três de minutos de som.

4. Na Fissura

Fechando com chave de ouro, Na Fissura tem espírito Stoner Metal e Acid Rock. Começa com uma introdução cativante de baixo e explode com bateria e guitarra carregada fuzz dando corpo à frase. Quase sete minutos de fritação majoritariamente instrumental, com inserts do refrão: “o diabo que tenha inveja do meu fogo”, complementado pelo outro verso da letra: “encontrei-o e o otário não tinga fogo”.

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