“Religião morta e fajuta”: ataques de Marco Feliciano aos católicos voltam à tona

 “Religião morta e fajuta”: ataques de Marco Feliciano aos católicos voltam à tona

Marco Feliciano

Vídeo já repercutia em 2013 e retorna ao debate no contexto de ataques à Igreja Católica e à devoção à padroeira do Brasil

Declarações antigas do pastor e deputado federal Marco Feliciano (PL-SP), aliado da família Bolsonaro, voltaram à tona em meio às recentes controvérsias envolvendo ataques à Igreja Católica e a Nossa Senhora no Brasil. No vídeo, gravado durante uma pregação, Feliciano classifica o catolicismo como uma “religião morta e fajuta”. O episódio já havia repercutido em abril de 2013, quando foi abordado pelo jornalista Reinaldo Azevedo em sua coluna na revista Veja. A publicação não informa a data da gravação.

A retomada do vídeo ocorre em um contexto de exposição de manifestações contrárias à devoção católica por líderes religiosos próximos ao bolsonarismo. Entre os casos está o do bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações, igreja onde Flávio Bolsonaro e sua esposa foram batizados em 2024.

Em um livro publicado em 2001, Carvalho defendeu retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A posição do bispo não comprova que Flávio endosse a proposta, e o senador negou ter essa intenção.

A associação da devoção católica à adoração de entidades malignas também contraria a doutrina professada pela Igreja. O Catecismo distingue a veneração de imagens da adoração, reservada exclusivamente a Deus. Segundo o documento, a reverência às representações de Cristo, de Maria e dos santos dirige-se às pessoas representadas, sem transformar os objetos em divindades.

2132. O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, «a honra prestada a uma imagem remonta (63) ao modelo original» e «quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada» (64). A honra prestada às santas imagens é uma «veneração respeitosa», e não uma adoração, que só a Deus se deve:

«O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas olha-as sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas orienta-se para a realidade de que ela é imagem» (65).

A proximidade política de Feliciano com os Bolsonaro é explícita. Em maio deste ano, o parlamentar descreveu a família como “ungida por Deus”. A recuperação de suas antigas declarações insere o episódio no debate atual sobre as relações entre lideranças religiosas, atuação política e respeito às diferentes crenças no país.

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