Isaac Newton retratado por Charles Jervas cerca de 1717, depois de ter sido eleito presidente da Royal Society (1703)
A física quântica superou a clássica? Marcelo Schappo fala sobre essa “controvérsia” levantada por místicos quânticos
Por AD Luna
O questionamento do título é, frequentemente, proferido com tons de afirmação provada e comprovada no âmbito do “misticismo quântico”. Mas o que há de verdade nisso? Convidado do programa InterD – música e conhecimento, Marcelo Schappo, professor e doutor em física pela UFSC, diz que, a depender do ponto de vista de determinadas visões apresentadas dentro da filosofia da ciência, é possível se pensar tanto em termos da superação de uma pela outra, como também entender que a mecânica quântica complementou a clássica.
“O fato é que as Leis de Newton, a mecânica clássica, que a gente aprende na escola, dá conta de entender fenômenos que acontecem no nosso dia a dia em regimes, entre aspas, normais de velocidade, tamanho”, diz Schappo.
Com ela, podemos entender fenômenos como o caminhar de uma pessoa, o movimento dos carros no trânsito, o lançamento de um foguete espacial. “Os engenheiros ainda hoje utilizam a mecânica clássica para projetar um prédio, uma montanha-russa, saber a velocidade que ela atinge”, explica.
Entretanto, ela “falha” quando buscamos compreender, por exemplo, como um elétron recebe energia no átomo. A mecânica de Newton não serve para esses fenômenos relacionados à estrutura da matéria, às interações entre as partículas. “Quem dá conta disso é a mecânica quântica”, afirma.
Veja também
Física quântica e charlatanismo: “A gente dá risada, mas é de pânico”
Manifesto condena pseudociência “quântica” em universidade federal
A ilusão da Quântica da Prosperidade
Por outro lado, de acordo com Schappo, quando aplicada a grandes sistemas macroscópicos cotidianos, a quântica reproduz os mesmos resultados que a mecânica clássica e vai além, por abranger sistemas submicroscópicos.
Para Marcelo Schappo, o debate filosófico em torno do assunto é saudável e bem-vindo. O problema, segundo ele, é que ao afirmar que a mecânica quântica superou a física clássica, os “místicos quânticos” não estão com o intuito de produzir uma discussão epistemológica válida.
“Em geral, o que estão querendo é tentar fazer com que você se abra intelectualmente para aceitar tudo que é tipo de besteira que vão falar em seguida: ‘essa tua visão da natureza está equivocada, ela foi superada pela mecânica’”.
Schappo finaliza reafirmando: “A mecânica newtoniana, clássica, segue valendo. Objetos cotidianos continuam funcionando conforme a mecânica clássica”.
Ouça depoimento de Marcelo Schappo
Ouça “A física quântica “superou” a clássica? Com Marcelo Schappo” no Spreaker.
Armadilhas Camufladas de Ciência: Mitos e Pseudociências em Nossas Vidas
https://youtu.be/7aMgS1xsctM Depois de apresentar "Rei de Nada", uma faixa densa e introspectiva, Samuel de Saboia…
Mostras ampliam os diálogos do acervo, reafirmam vínculos entre arte e espiritualidade, e marcam a abertura…
Álbum marca nova fase da artista, que assina a produção e estreia trilogia audiovisual com…
Faixa dançante chega acompanhada de videoclipe inspirado na estética das pin-ups dos anos 60 …
A Capcom Co., Ltd. (TOKYO:9697) anunciou hoje que o Street Fighter 6 e o Kunitsu-Gami:…
ZAPI GROUP, líder mundial em eletrificação, irá apresentar suas soluções de última geração para eletrificação…