Coco do Pneu lança primeiro álbum com show em Nazaré da Mata
Coco do Pneu lança primeiro álbum com show em Nazaré da Mata

Coco do Pneu. Foto: Sérgio Melo/Terno da Mata
Grupo olindense celebra 36 anos de trajetória com disco gravado no Estúdio Fábrica e apresentação gratuita no Ponto de Cultura Revoltosa; evento integra as comemorações do aniversário da cidade
O grupo Coco do Pneu, do bairro Amaro Branco, em Olinda, lança seu primeiro álbum oficial no dia 16 de maio de 2026, em Nazaré da Mata, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. A apresentação acontece, a partir das 21h, no Ponto de Cultura Revoltosa, com entrada gratuita, e integra as comemorações do aniversário da cidade — uma das datas mais importantes do calendário da Mata Norte.
A escolha não é por acaso. Nazaré da Mata é um dos territórios mais ricos culturalmente do interior pernambucano, conhecido pela força do maracatu de baque solto e por uma tradição festiva que atravessa gerações. Receber o lançamento de um grupo com 36 anos de história no meio de sua festa de aniversário é, ao mesmo tempo, um presente da cidade para si mesma e um reconhecimento da força da cultura popular que pulsa em toda a região.
O grupo e sua música
Com 36 anos de existência, o Coco do Pneu é liderado pelo Mestre Lu do Pneu, nome artístico de Fernando Antônio da Anunciação. O grupo tem raízes profundas na tradição dos pescadores artesanais do Amaro Branco e já levou seu batuque a turnês pela Europa em 2025 e ao festival Pernambuco Meu País.
O samba de coco que o grupo pratica é uma das expressões mais genuínas da cultura popular nordestina — ritmo de origem afro-brasileira, nascido nas comunidades rurais e litorâneas, que combina canto coletivo, dança e percussão intensa. No Coco do Pneu, a formação é enxuta e poderosa: Lú do Pneu no vocal principal e no bombo, instrumento de percussão grave que dá o pulso à música. O bombo é reforçado por Juninho do Coco e Lu Guarú. No pandeiro — que traz leveza e balanço à batida — estão Anderson Sales e Antônio Marcos. O ganzá, chocalho metálico que pontua e costura o ritmo, fica a cargo de Alcides Nascimento.
Os backing vocals são a alma coletiva da roda: Raiani do Pneu, Yone, Juninho do Coco, Marcela Souza, Lucinéa Maria (a Néa) e Alcides Nascimento respondem ao mestre, criam o diálogo de pergunta e resposta que é marca do coco tradicional e fazem a plateia sentir que está dentro da sambada, não apenas assistindo a ela.
O nome do grupo carrega sua própria história: O pai de Lu do Pneu (Jose Ivo da Anunciação) pescador, encontrou um pneu de trator ou avião, na praia de Pau Amarelo e se impressionou com o tamanho, e resolveu levá-lo para a sua comunidade(Amaro Branco) onde servia para se reunir com os amigos e familiares para tomar uma e sambar o coco de roda, tornou-se a identidade sonora e o símbolo do grupo e da sambada que acontece todo último sábado de cada mês no beco do pneu no bairro do Amaro Branco.
O álbum
Intitulado simplesmente “Coco do Pneu”, o disco é lançado pelo selo Terno da Mata Records e está disponível em todas as plataformas de streaming. As gravações foram realizadas no Estúdio Fábrica ao longo de 2025, com gravação e mixagem assinadas por Pedro França e masterização assinadas por Pablo Lopes e a produção musical de Nilton Júnior.
A proposta do disco é recriar o clima das sambadas tradicionais — a energia das rodas noturnas, a interação entre os músicos e o público, o calor de uma festa que não precisa de palco sofisticado para emocionar. São quatorze faixas com participações que atravessam gerações e territórios.
Entre os momentos mais marcantes está a presença póstuma da Mestra Beata — Beatriz Andrade —, que empresta sua voz nas faixas “Agora foi que eu Cheguei” e “Ô Mulher”. A participação, gravada antes de sua morte, transforma o álbum em um documento de memória viva. O disco conta ainda com o Mestre Arnaldo do Coco na faixa “Um Sonho de Liberdade”; Raiani do Pneu em “Chora Maria de Lourdes”; Marcela Souza em “Coco de Água Doce”; Lú Guaru em “Sangue Nordestino”; e Juninho do Coco em “Mané Pajuaba”.
Encontro de pontos de cultura
O evento é descrito pelos organizadores como um “encontro de pontos de cultura” e foi viabilizado pelo FUNCULTURA, fundo estadual de incentivo à cultura. Além da apresentação do Coco do Pneu, a noite terá o Coco de Engenho — manifestação que carrega na própria nomenclatura a marca da Zona da Mata e sua história canavieira — e a participação especial de Regis Arruda, o Coco da Mata, uma das vozes mais respeitadas da cena musical da Mata Norte.
A coordenação geral do álbum é do sociólogo e produtor Sérgio Melo, que também dirigiu o curta-metragem “Vozes do Samba de Coco de Amaro Branco”, documentário sobre o grupo. A direção musical do álbum é de Nilton Júnior. A assistência de produção é de Úrsula Albuquerque, o design gráfico é assinado por Cíntia Viana, e o registro fotográfico e audiovisual do álbum ficou a cargo de Elimar Caranguejo, Jussara Ferreira e Sérgio Melo. A produção executiva é da Terno da Mata Produções.
SERVIÇO
- O quê: Lançamento do álbum “Coco do Pneu” — show ao vivo
- Quando: 16 de maio de 2026
- Onde: Ponto de Cultura Revoltosa — Nazaré da Mata (PE)
- Horário: 21h
- Entrada: Gratuita
- Streaming: Disponível em todas as plataformas digitais

