Sérgio Cassiano. Foto: Anderson Stevens
Gravado e lançado em 2004, o álbum Ciência da Festa completou 20 anos em 2024. Para Sérgio Cassiano, o título expressa a ideia de que a ciência deve ser um vetor de felicidade e renovação, ao mesmo tempo em que pode gerar riscos se usada de forma inconsciente
Por AD Luna
O programa InterD – ciência e cultura, transmitido às quartas-feiras, às 20h, na Universitária FM do Recife e disponível nas plataformas digitais, trouxe na série Minha História a trajetória do músico, cantor e compositor Sérgio Cassiano, integrante da histórica banda pernambucana Mestre Ambrósio e professor do Conservatório Pernambucano de Música.
Cassiano relembrou sua formação, o impacto da música em sua vida e falou sobre os desafios e transformações da indústria musical ao longo das últimas décadas, especialmente a partir do lançamento de seu primeiro disco solo, Ciência da Festa, que em 2024 completou 20 anos.
Desde a infância, Cassiano se via como um criador. A curiosidade que o movia na escola e nas brincadeiras logo desembocou nas artes, especialmente na música. Sua mãe foi a primeira influência decisiva: além de cantar em casa, foi ela quem lhe apresentou os primeiros discos e o ensinou a manusear o toca-discos com cuidado.
“Aos poucos, ela foi financiando minha discoteca. Cada novo álbum me proporcionava novidades, que eu não apenas ouvia, mas também analisava”, relembra.
Outras figuras marcaram essa formação, como Naná Vasconcelos, que expandiu sua visão musical a partir da percussão, e Mauro Schiappetta, professor que o orientou no Conservatório Pernambucano de Música, onde Cassiano hoje leciona percussão popular. “A percussão foi minha porta de entrada para a criação”, resume.
Gravado e lançado em 2004, o álbum Ciência da Festa completou 20 anos em 2024. O título expressa a ideia de que a ciência deve ser um vetor de felicidade e renovação, ao mesmo tempo em que pode gerar riscos se usada de forma inconsciente.
Cassiano associa o processo criativo a um fluxo contínuo, no qual consciente e inconsciente dialogam. “Quando você está aberto para a criação, ela vem. Às vezes, a ideia do próximo disco já surgia no meio da gravação do anterior. Isso não era algo planejado, mas fruto desse inconsciente que trabalha em paralelo”, explica.
Ele também destaca como a infância continua a influenciar seu modo de fazer música. “Eu me imaginava tocando todos os instrumentos que ouvia em uma canção. Essa liberdade imaginativa da criança é algo que levo até hoje.”
Comparando o cenário de 2004 com o de 2024, Cassiano observa mudanças profundas na forma de consumo musical. Se antes o vinil e o CD eram predominantes, hoje o streaming ocupa o centro, ao lado de um ressurgimento dos discos de vinil.
No entanto, para ele, a principal mudança está na atenção. “O espaço para uma audição contemplativa e consistente tem ficado raro. A humanidade mudou muito nesse aspecto. É um desafio estimular uma escuta atenta em tempos de dispersão constante”, afirma.
O músico defende a criação de mais espaços democráticos e orgânicos para a música acontecer em Pernambuco e no Brasil. Para ele, há uma negligência estrutural no tratamento dado aos artistas, o que reduz a visibilidade e as possibilidades criativas no país.
“O Estado e o país tratam muito mal os artistas. É preciso olhar para isso com realismo e buscar soluções, que passam tanto por atitudes políticas quanto individuais”, argumenta.
Cassiano critica a ideia de que a arte está livre de influências políticas. “É uma ilusão dizer que não há interferência política na música e na cultura. O sistema já exerce esse poder — o que precisamos é discutir como essa interferência pode ser positiva.”
Com sua trajetória marcada pela experimentação, Sérgio Cassiano continua a refletir sobre o papel da música na sociedade. Entre a memória de sua formação, a celebração dos 20 anos de Ciência da Festa e as críticas à indústria cultural, ele reforça a importância da arte como espaço de criação, crítica e renovação.
“Assim como a ciência, a música nos ajuda a reinventar o mundo. Mas é preciso garantir condições para que ela floresça de forma plural e democrática”, conclui.
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