Ciência e saúde

Negacionismo e a extrema direita

O negacionismo e suas relações com a extrema direita: entenda o conceito, suas raízes históricas e as implicações sociais atuais

O negacionismo é um fenômeno que tem ganhado destaque nas discussões contemporâneas, especialmente no contexto político brasileiro. O debate sobre suas implicações e consequências é fundamental para entender as dinâmicas sociais atuais. No Diálogos com a Inteligência, novo programa do Meio em parceria da revista Insight Inteligência, o cientista político Christian Lynch conversa com o professor, pesquisador e cientista político José Eduardo Szwako. 

O que é negacionismo?

O negacionismo é um movimento caracterizado pela negação deliberada de fatos científicos, históricos ou sociais. Essa prática é frequentemente orquestrada por grupos que visam contestar instituições acadêmicas e científicas em busca de interesses políticos e econômicos. O professor José Eduardo Szwako define o negacionismo como uma “praga contemporânea” que atinge a sociedade e a política.

Esses grupos se organizam para desafiar consensos científicos que, muitas vezes, contradizem suas crenças ou interesses. Historicamente, o negacionismo não é um fenômeno novo. Exemplos clássicos incluem a negação da ligação entre o tabagismo e o câncer, bem como a negação do aquecimento global. Além disso, a negação do Holocausto, impulsionada por ideologias antissemitas, é um exemplo marcante de como o negacionismo pode distorcer a realidade histórica.

### Casos Históricos de Negacionismo

* Negação do câncer e tabagismo
* Negação do aquecimento global
* Negação do Holocausto

Esses exemplos ilustram que o negacionismo é uma tática usada para proteger interesses de grupos específicos, muitas vezes à custa da verdade e do bem-estar social. O negacionismo pode se manifestar em diversas áreas, incluindo ciências duras, ciências sociais e história.

Distinções dentro do negacionismo

Uma questão intrigante é onde traçar a linha entre negacionismo e versões alternativas de eventos históricos. A história, por exemplo, pode ser narrada de maneiras diferentes, dependendo da perspectiva adotada. Isso é normal e saudável em um debate acadêmico, mas o negacionismo se distingue pela falsificação de dados e pela promoção de narrativas que não se baseiam em evidências.

O professor Szwako discute como o negacionismo pode se infiltrar em debates que deveriam ser fundamentados na ciência. Ele ressalta que a ciência é, por natureza, controversa e sujeita a debates, mas a negação deliberada de fatos científicos é uma tática negacionista. Exemplos incluem a falsificação de dados e o uso abusivo de credenciais científicas para legitimar argumentos não científicos.

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O crescimento do negacionismo no contexto atual

Nos últimos anos, o negacionismo tem se tornado mais evidente, especialmente com o advento da internet e a transformação da esfera pública. O acesso à informação se democratizou, mas isso também permitiu que desinformação e teorias da conspiração se espalhassem rapidamente.

A figura de figuras como Olavo de Carvalho, que tentou atacar consensos acadêmicos, exemplifica a nova dinâmica em que o negacionismo se torna uma força a ser considerada na arena pública. O professor Szwako argumenta que essa transformação estrutural na esfera pública tem facilitado a disseminação de ideias negacionistas.

### Fatores que Contribuem para o Crescimento do Negacionismo

* Transformação da esfera pública
* Ascensão da internet e redes sociais
* Mobilização de grupos conservadores

O avanço das políticas de direitos humanos e a crescente intersecção entre ciência e moralidade também geraram reações negativas de certos grupos, que veem essas mudanças como ameaças aos seus valores tradicionais.

Negacionismo e a extrema direita

A relação entre o negacionismo e a extrema direita é complexa. A extrema direita frequentemente utiliza o negacionismo como uma ferramenta para consolidar sua base de apoio. A negação de fatos científicos, como a eficácia das vacinas, é um exemplo de como essas ideologias se interligam.

O negacionismo serve como uma “cola simbólica” que une diferentes grupos sob uma única bandeira, facilitando a mobilização em torno de causas comuns. Isso é evidente em movimentos que negam a mudança climática ou contestam a validade das vacinas, que são frequentemente defendidos por figuras da extrema direita.

### Exemplos de Conexão entre Negacionismo e Extrema Direita

* Negação da eficácia das vacinas
* Contestação à ciência climática
* Rejeição de políticas de direitos humanos

A adesão de médicos e especialistas a discursos negacionistas também é um fenômeno preocupante. Embora a medicina seja uma prática aplicada, a pesquisa médica é fundamental para a produção de conhecimento. A confusão entre esses papéis pode levar à legitimação de práticas negacionistas que não têm respaldo científico.

O futuro do negacionismo

O futuro do negacionismo no Brasil e no mundo é incerto. A possibilidade de que evidências catastróficas, como desastres climáticos, possam reduzir o negacionismo é uma questão debatida. No entanto, o professor Szwako acredita que os fatos por si só não falam; é necessária uma tradução política para que o público compreenda a gravidade da situação.

Movimentos sociais e ações governamentais estão sendo mobilizados para enfrentar as crises atuais, mas a verdadeira mudança dependerá da capacidade de criar uma narrativa que conecte os desafios enfrentados com soluções práticas e eficazes.

O negacionismo é um fenômeno que não pode ser ignorado em nossas discussões sobre política e sociedade. Ele não é apenas uma questão acadêmica, mas uma realidade que impacta o cotidiano de todos nós. Compreender suas raízes, manifestações e conexões com a extrema direita é essencial para desenvolver estratégias que promovam um debate saudável e fundamentado na verdade.

À medida que avançamos, é crucial continuar a reflexão crítica sobre esses temas e buscar formas de fortalecer a ciência e a educação como pilares da sociedade. Somente assim poderemos enfrentar os desafios que se apresentam diante de nós.

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