Sociedade

Mais de 150 mil refugiados e migrantes estão empregados no mercado de trabalho formal no Brasil

ACNUR lança primeira série de informes mensais sobre acesso ao emprego formal de afegãos, haitianos e venezuelanos

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), começa a divulgar informes mensais sobre a empregabilidade formal de pessoas afegãs, haitianas e venezuelanas no Brasil. Os relatórios são baseados em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED).

Levando em consideração as nacionalidades mencionadas, o saldo de contratações até agosto de 2023 é de mais de 153 mil postos ocupados, sendo 107.258 por refugiados e migrantes venezuelanos; 45.655 por haitianos; e 739 por refugiados afegãos.

“As pessoas refugiadas que chegam ao Brasil em busca de segurança trazem consigo uma bagagem diversa de conhecimentos, saberes e cultura, e têm um enorme potencial para contribuir com as comunidades de acolhida, além do desenvolvimento e diversificação da economia local”, afirma o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli.

É o caso da venezuelana Sidenia e dos dois filhos dela, Rafael e Raquel. Os três trabalham no hospital. A.C. Camargo Cancer Center. A mãe, Sidenia, que atua na preparação de alimentos aos pacientes, foi a primeira a ser contratada, em 2019. “Nunca imaginei que ia ter a oportunidade de trabalhar neste hospital por causa do meu idioma, pois eu ainda não sabia falar português, mas as pessoas que me entrevistaram foram pessoas com muita empatia, cheias de amor e compreensão”, relembra.

Até a contratação de Sidenia, Rafael e Raquel mantinham a família de seis pessoas com o salário de atendentes em uma lanchonete. Raquel, que estudava Nutrição na Venezuela e chegou a vender frutas nas ruas de Boa Vista, começou como jovem aprendiz no A.C. Camargo e foi efetivada em 2022. “Eu estou muito orgulhosa da pessoa que estou me tornando dentro desta instituição, e grata pela oportunidade que a empresa me proporcionou”, diz ela, que trabalha no setor de atendimento, assim como o irmão.

Com a vivência no hospital, Rafael faz planos de cursar Enfermagem: “No primeiro dia que eu estava aqui, todos foram bastante acolhedores na parte do treinamento. Eu estava preocupado pelo idioma, mas falaram que não tinha problema, que é um processo e que iríamos aprender. O bom é que aqui temos oportunidade de estudar, fazer cursos e capacitação. É uma porta boa para o futuro”, afirma.

Para o oficial associado de Economia do ACNUR no Brasil, Nikolas Pirani, o monitoramento do mercado formal de trabalho é importante para identificar as principais tendências de entrada e saída, e atuar em parceria com os setores público e privado para ações de mitigação de possíveis gargalos. “Com a análise dos dados, podemos potencializar a empregabilidade dessas populações, abordar possíveis desigualdades e identificar a necessidade de apoio e oferta de capacitações em diferentes estados”.

Pessoas refugiadas afegãs

Entre setembro de 2021 e agosto de 2023, o saldo de contratações de pessoas refugiadas do Afeganistão no mercado de trabalho formal brasileiro é de 739 pessoas. A maioria dos contratados são jovens adultos de 18 a 24 anos (33,1%) e homens (68,6%), e o perfil educacional das admissões indica que 86,3% das pessoas concluíram o Ensino Médio e, dessas, 8% têm o Ensino Superior completo.

O salário médio das admissões é de R$ 1.891,60 e tende a aumentar na medida em que se eleva o nível educacional. Ainda assim, é inferior ao salário médio das admissões no país no último mês (R$ 2.032,56).

As principais categorias ocupacionais do saldo de contratações são: (i) Operadores do comércio em lojas e mercados, (ii) agentes, assistentes e auxiliares administrativos, e (iii) trabalhadores auxiliares nos serviços de alimentação.

Pessoas haitianas

O saldo de contratações de pessoas haitianas no mercado de trabalho formal brasileiro é de 45.655, entre janeiro de 2012 a agosto de 2023. A maioria dos contratados são adultos de 30 a 39 anos (41,3%) e homens (66,3%).

O perfil educacional das admissões indica que 50,3% das pessoas concluíram o Ensino Médio e, dessas, 1,8% têm Ensino Superior completo.

O salário médio dos haitianos é de R$ 1.924,60 e tende a aumentar na medida em que se eleva o nível educacional. Ainda assim, é inferior ao salário médio das admissões no país no último mês (R$ 2.032,56).

As principais categorias ocupacionais do saldo de contratações são: (i) magarefes e afins, (ii) alimentadores de linhas de produção, e (iii) trabalhadores nos serviços de manutenção de edificações.

Refugiados e migrantes venezuelanos

Entre abril de 2017 e agosto de 2023, o saldo de contratações de pessoas refugiadas e migrantes da Venezuela no mercado de trabalho formal brasileiro é de 107.258. A maioria dos contratados são adultos de 30 a 39 anos (29,2%) e homens (64,5%).

O perfil educacional das admissões indica que 71,8% das pessoas concluíram o Ensino Médio e, dessas, 8,6%, têm o Ensino Superior completo.

O salário médio das admissões é de R$ 1.905,30 e tende a aumentar na medida em que se eleva o nível educacional. Ainda assim, é inferior ao salário médio das admissões no país no último mês (R$ 2.032,56).

As principais categorias ocupacionais do saldo de contratações são: (i) Alimentadores de linha de produção, (ii) Magarefes e afins, e (iii) trabalhadores nos serviços de manutenção de edificações.

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