Maestro Spok: jornada com as estrelas [ARQUIVO]
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Maestro Spok . Foto: Sidarta
Navegando pelo universo brasileiro, Maestro Spok já participou, entre outros eventos, de duas edições do Free Jazz (Rio de Janeiro e São Paulo), ao lado de Antúlio Madureira
Por Gilson Oliveira
Apelidado em homenagem ao Doutor Spock, da série Jornada nas Estrelas (não por ter as orelhas grandes e pontiagudas, mas por conseguir movimentar esse órgão que, na maioria das pessoas, é estático), o saxofonista, flautista, contrabaixista, guitarrista e percussionista — ufa! — Spok é um dos músicos preferidos de nove entre dez estrelas e astros locais e nacionais. Da relação de artistas que sempre procuram o instrumentista durante as temporadas que realizam no Estado estão Sandra de Sá, Djavan, Cauby Peixoto, Paulo Moura, Bibi Ferreira, Raul de Souza e Eduardo Dussek.
Publicado originalmente na revista eletrônica MangueNius, em meados dos anos 1990.
Mas já faz tempo que as jornadas de Spok não se limitam ao espaço pernambucano. Recentemente, fez uma série de bem-sucedidas apresentações na francesa cidade de Avignon, acompanhando o multiartista Antônio Carlos Nóbrega, com quem também esteve na Expo 98, em Portugal, e deve se apresentar na versão 99 do evento, programada para Hannover, na Alemanha. Assinando novamente o nome de Pernambuco em outra importante mostra internacional, esteve no Festival de Montreux, na Suíça, com outro polivalente artista, o instrumentista e compositor Antúlio Madureira. A mais original experiência de Spok pelo Velho Continente, no entanto, se deu no ano passado quando, durante a Copa do Mundo, tocou muito frevo e outros ritmos pernambucanos — sua especialidade — pelas ruas de Paris, integrando a banda Swing, do maestro Carmelo.
Navegando pelo universo brasileiro, Spok já participou, entre outros eventos, de duas edições do Free Jazz (Rio de Janeiro e São Paulo), ao lado de Antúlio Madureira. Numa das passagens pela capital paulista, tocando com a banda Mantiqueira, o instrumentista fez o público esquecer o frio reinante executando um solo improvisado de “Vassourinhas”.
“O frevo costuma empolgar tanto o público, por ser um ritmo muito quente, quanto os músicos de todas as partes do mundo, por exigir um perfeito casamento entre técnica, agilidade e sensibilidade”, diz ele. No planeta Recife, onde já tocou com um “infinito” número de artistas e bandas, um dos mais expressivos momentos aconteceu em 1996, quando acompanhou Chico Science no lançamento do disco Afrociberdelia. O show foi no Circo Maluco Beleza, durante o Abril pro Rock, e contou com as participações de Gilberto Gil e Fred 04.
Outros palcos — Dos mais acessíveis artistas pernambucanos (devido ao jeito “eternamente” brincalhão) e, ao mesmo tempo, dos mais inacessíveis (por conta da sobrecarregada agenda), Spok tem usado os mais diversos “palcos” para levar sua arte ao público. Um deles é a gravação de discos. Entre os artistas e grupos com quem já gravou estão Ivanildo do Sax de Ouro (seu primeiro ídolo), Antônio Carlos Nóbrega, Antúlio Madureira, Cascabulho e Via Sat (os dois últimos em faixas do CD Reiginaldo Rossi, produzido por Zé da Flauta em homenagem a Reginaldo Rossi, disco que conta com a participação de diversos representantes da atual cena pernambucana).
Uma das próximas incursões pelos estúdios será para a produção de seu primeiro disco solo. Como arranjador, o trabalho de Spok está presente em vários discos. Entre eles, os dois últimos de Antúlio Madureira e os que compõem as séries carnavalescas Recifrevo e Recifrevoé.
As viagens de Spok pelos mundos da música começaram, na verdade, ainda na adolescência. Batizado oficialmente como Inaldo Cavalcante de Albuquerque, nasceu em Igarassu, a cerca de 30 quilômetros do Recife, e começou a conhecer os segredos da arte dos sons na Escola Polivalente de Abreu e Lima, em 1983, interessando-se inicialmente pela flauta doce. Influenciado por um tio e um sobrinho, terminou apaixonando-se pelo saxofone, com o qual passou a tocar no palco das ruas, integrando desde procissões até orquestras de frevo — costume que ainda mantém em relação ao último ritmo (em tempo: Spok participou também da gravação do CD Os Melhores Frevos do Século – Volume I, produzido por Luiz Guimarães).
Em 1986, o instrumentista aterrissou no Recife, mais precisamente no Centro Profissionalizante de Criatividade Musical do Recife (CPCMR), onde teve aulas com Edson Rodrigues e Manoel Agostinho e iniciou amizade com outros maestros que, a exemplo desses dois, também figuram na relação dos seus ídolos: Duda, Dimas Sedícias, José Menezes, Ademir Araújo, Clóvis Pereira e Guedes Peixoto. No plano internacional, essa galeria recebe os nomes de, entre outros, Charles Parker, Kenny Garrett e Miles Davis.
Também experiente em jornadas pedagógicas (deu aulas no Conservatório Pernambucano de Música e no Centro de Criatividade), Spok, ainda aluno do CPCMR, foi convidado por Edson Rodrigues para tocar na Recife Banda Show, integrando tempos depois outro lendário grupo: a Orquestra de Duda.
Outra experiência pedagógica — se bem que, nesse caso, a coisa está mais para “tá no sangue” ou “filho de gato…” — vem acontecendo no seu universozinho particular. Casado com a cantora Nena Queiroga, Spok tem dois filhos que também prometem alçar voos por aí: Iuri e Ilana, que, apesar de ainda crianças, já possuem vasta experiência na área de jingles. Provavelmente vivem escutando do pai um conselho que ele costuma dar a todos que pretendem seguir a carreira musical: “Estudar, estudar, estudar; pesquisar, pesquisar, pesquisar”. Mas será que Spok estudava e pesquisava? Era comum o pai acordar, a lua iluminando a madrugada, e dizer: “Vai dormir, rapaz; desse jeito você vai endoidar”. Spok não obedeceu ao pai e terminou, realmente, ficando doido. Cada vez mais. Por música.
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