A música brasileira ganha novos lançamentos em diferentes estilos, que vão da música instrumental ao pop carnavalesco, passando por releituras e afirmações autorais. Entre os destaques estão o single “Dendê”, do projeto Animal Invisível; o clipe “Mangue”, da Barbarize, com participação de Fred 04; a nova gravação de “Coqueiro Verde”, pela Orquestra Imperial; e “Piscadinha”, lançamento de Luiz Caldas com composição de Roberta Miranda, todos já disponíveis nas plataformas digitais.
Luiz Caldas lança “Piscadinha”, canção inédita composta por Roberta Miranda e pensada para o Carnaval, com espírito de trio elétrico e clima de festa. Já disponível nas plataformas digitais, a faixa aposta em uma sonoridade dançante e coletiva, voltada para a rua e para a celebração popular, reforçando a ligação histórica do artista com o Axé Music. Escrita por Roberta Miranda há cerca de dez anos, a música ficou guardada até encontrar o momento adequado para ganhar arranjo e interpretação, agora materializados no encontro entre os dois artistas.
Musicalmente, “Piscadinha” reafirma o Axé como gênero plural, marcado pela mistura de ritmos e pela energia do Carnaval, sem perder a identidade construída ao longo da carreira de Luiz Caldas. A letra aposta na sutileza e no charme do gesto do “piscar de olho”, propondo uma abordagem mais leve do afeto e dialogando com diferentes gerações. O lançamento se insere em um momento simbólico da trajetória do artista, que segue ativo e conectado ao público, reafirmando sua presença constante na música brasileira.
Com produção musical de Berna Ceppas, Kassin e Felipe Pinaud e vocais de Moreno Veloso, Thalma de Freitas, Emanuelle Araujo, Matheus VK e Nina Becker, a gravação de “Coqueiro Verde” é um dos destaques do novo show da Orquestra Imperial, apresentado em turnê pelo Brasil. A versão em gafieira moderna dialoga com a origem da canção — considerada o primeiro samba-rock brasileiro — e reafirma a relação histórica do grupo com Erasmo Carlos, com quem a Orquestra dividiu o palco em diferentes momentos desde os anos 2000. Kassin, produtor do álbum Gigante Gentil, vencedor do Grammy Latino de 2014, destaca a parceria contínua com o artista como uma referência central na trajetória do coletivo.
O lançamento marca a retomada dos registros fonográficos da Orquestra Imperial após os álbuns Carnaval Só O Ano Que Vem (2006), Orquestra Imperial Ao Vivo (2013) e Fazendo as Pazes com o Suingue (2015), e era aguardado pelo público. A capa traz uma pintura de Luiz Zerbini, que celebra Erasmo Carlos e o espírito do projeto. A Orquestra Imperial reúne um amplo conjunto de músicos e cantores, combinando vocais, sopros, percussões, teclados e guitarras, e reafirma, nesta gravação, sua proposta de atualizar matrizes da música brasileira sem perder o vínculo com sua história.
Música brasileira no radar internacional: Nublu, selo novaiorquino, apresenta Animal Invisível
Após o single de estreia, “Didi”, a nova faixa aprofunda a investigação da música instrumental brasileira por uma abordagem contemporânea, construída a partir de uma progressão harmônica mutável que combina complexidade musical, fluidez rítmica e groove.
A sonoridade dialoga com a produção brasileira dos anos 1970 — baterias secas, guitarras em linha e arranjos orgânicos — reinterpretada por uma produção atual, com compressões, saturações sutis e texturas psicodélicas, com referências a Tom Jobim, Moacir Santos e Arthur Verocai, sem viés nostálgico.
Gravada com formação reduzida, “Dendê” reúne Arquetipo Rafa na bateria, Pedro Dantas no baixo e Guri Assis Brasil na guitarra e no piano, além de um arranjo de cordas assinado por Guri Assis Brasil e Gilberto Ribeiro, executado por um quarteto liderado por Aramys e gravado em Campinas (SP).
Guri Assis Brasil, guitarrista nascido na fronteira entre Brasil e Uruguai, iniciou a carreira em Porto Alegre com a banda Pública e, desde 2010, atua em São Paulo como músico de estúdio e de palco, com colaborações com Otto, Céu, Criolo, Luiz Melodia, Angela Rô Rô, além de gravações com Caetano Veloso e Gal Costa.
A parceria com a Nublu Records surge de sua relação de mais de uma década com Otto e do contato com Ilhan, fundador do selo. Apesar do título, “Dendê” não se refere a um ritmo ou ao azeite, mas a uma homenagem pessoal: a música foi composta durante a pandemia, na sala de casa, na companhia do cachorro do músico.
Barbarize e o grito de agora no clipe afrofuturista “Mangue”, com Fred 04
O duo pernambucano Barbarize, criação de Bárbara Vitória (Babi) e YuriLumi, lançou o clipe “Mangue”, faixa do álbum Manifexta, com participação de Fred 04, fundador do Mundo Livre S/A e autor do manifesto Caranguejos com Cérebro. O audiovisual celebra o legado do manguebeat, com referências diretas a Chico Science e Josué de Castro, ao mesmo tempo em que afirma o mangue como símbolo vivo do presente e do futuro. Ambientado no território do Bode, no bairro do Pina (Recife), o clipe conecta denúncia social, memória e dança, abordando desigualdades urbanas e a persistência das questões apontadas desde os anos 1990, agora sob uma estética afrofuturista.
Dirigido e roteirizado pela própria Barbarize, o clipe adota uma linguagem que mistura natureza, tecnologia, ancestralidade e eletrônica, com figurinos reconstruídos, sucata eletrônica e elementos ritualísticos, além da atuação de um balé integrado à narrativa visual. A música tem composição coletiva de Barbarize, Fred 04 e Thiago Barromeo, produtor do álbum, e conta com a participação do percussionista Maurício Bade (Mestre Ambrósio). “Mangue” inaugura os lançamentos do grupo em 2026 e reforça a relação contínua da Barbarize com o manguebeat, já presente em releituras, colaborações e no próprio conceito de Manifexta, álbum que consolida a maturidade estética, política e sonora do projeto.