Juliana Notari, Clarissa Diniz e Inês Maia lançam livro “Diva: os primeiros 30 dias”

 Juliana Notari, Clarissa Diniz e Inês Maia lançam livro “Diva: os primeiros 30 dias” 

Juliana Notari. Foto: Andrea Rêgo Barros @aregobarrosfoto

A obra Diva (2020), de Juliana Notari (@juliana_notari), que provocou um dos debates mais intensos da arte contemporânea brasileira, ganha agora registro editorial. O livro Diva: os primeiros 30 dias será lançado durante a Art.PE – Feira de Arte Contemporânea de Pernambuco, que acontece de 8 a 12 de outubro de 2025, no Recife Expo Center (Cais Santa Rita, 156 – São José). O lançamento oficial será no dia 12 de outubro, às 15h, com palestra das organizadoras e apoio de intérpretes da Libras.

Com cerca de 250 páginas, a publicação é organizada por Juliana Notari, Clarissa Diniz e Inês Maia. O volume revisita o primeiro mês de recepção da escultura monumental — uma vulva de 33 metros escavada na Usina de Arte, em Água Preta (PE). Desde sua divulgação, em janeiro de 2021, a obra gerou centenas de milhares de comentários, compartilhamentos, matérias jornalísticas, memes e análises que a transformaram em um fenômeno cultural, político e estético sem precedentes no Brasil recente.

O livro reúne registros que vão de posts em redes sociais a textos críticos, matérias de imprensa e memes que circularam intensamente, compondo um mosaico de vozes muitas vezes antagônicas — entre admiradores, críticos, militantes políticos e até lideranças religiosas. Dessa forma, o volume evidencia como a repercussão da obra ultrapassou o campo da arte e alcançou a esfera pública, alimentando debates sobre feminismo, censura, liberdade de expressão, colonialidade, além de questões de gênero, raciais e ambientais, num Brasil polarizado.

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Entre os articulistas convidados estão Afonso Oliveira, Ana Luisa Lima, Beta Germano, Danilo Matoso, Débora Britto, Eliane Brum, Fabiana Moraes, Ivana Bentes, João Paulo Lima, Laís Domingues, Mariana Franco e Paula Guimarães, além do ensaio de Cayo Honorato, intitulado Por uma teoria Diva da arte. Neste texto, o pesquisador analisa a recepção como parte integrante da própria obra, propondo um olhar teórico sobre a dimensão pública de Diva.

A publicação também registra a repercussão internacional da escultura, que chegou a ser pauta em veículos como The Guardian e Le Monde, além de debates acadêmicos em universidades europeias e latino-americanas. Esse alcance ampliou o estatuto de Diva como uma das obras brasileiras mais comentadas da última década.

O projeto editorial é independente e sem fins lucrativos, realizado com incentivo do Funcultura PE e do SIC – Sistema de Incentivo à Cultura / Fundação de Cultura Cidade do Recife / Secretaria de Cultura / Prefeitura do Recife, via Lei Paulo Gustavo, com apoio também da Prefeitura de Olinda e do Ministério da Cultura. A publicação conta ainda com o apoio cultural da própria Art.PE. O design é assinado pelo estúdio recifense Zoludesign.

A distribuição será gratuita em formato digital, com tiragem impressa de 1.000 exemplares destinada a autores, colaboradores, bibliotecas, instituições de arte e público em geral.

“A intensidade daqueles primeiros 30 dias mostrou que a recepção se tornou parte da própria obra. Este livro é um gesto de documentação e de memória, mas também uma ferramenta para novos olhares sobre a arte contemporânea”, afirmam as organizadoras.

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Sobre as organizadoras

Juliana Notari é artista visual reconhecida por sua produção marcada por temas ligados ao corpo, à sexualidade, à violência e às relações de poder. Sua trajetória inclui obras que transitam entre performance, instalação, escultura e intervenções públicas, sempre tensionando as fronteiras entre arte, política e sociedade. Formada em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pernambuco, é mestre e doutora em Artes Visuais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Notari já participou de exposições no Brasil e no exterior, com trabalhos que suscitam intensos debates e consolidam sua posição como uma das artistas mais provocativas da cena contemporânea.

Clarissa Diniz é educadora, curadora e escritora em Artes Visuais, além de professora do Departamento de História e Teoria da Arte da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EBA/UFRJ). Com vasta experiência em museus e instituições culturais nacionais e internacionais, ela atuou no Museu de Arte do Rio (MAR) e no Instituto Itaú Cultural. Foi curadora convidada no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) e realizou curadorias em instituições brasileiras como Sesc, MASP e Pinacoteca de São Paulo. Sua atuação abrange desde a curadoria de exposições até a educação em artes visuais, destacando-se como uma figura importante no cenário cultural brasileiro.

Inês Maia é atriz, roteirista e dramaturga, formada em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Fundou o Bote de Teatro, onde desenvolve seu trabalho como atriz e dramaturga. Vencedora do Prêmio Hermilo Borba Filho pela peça Patológicos, também assina Salto, sua primeira dramaturgia, contemplada pela Funarte e apresentada em circulação nacional. Atuou como apresentadora e roteirista do programa Zona Multicor (TV Brasil) e atualmente está em cartaz com os espetáculos Salto e ILHA: DOIS.

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