Foto: Romulo dos Santos
Videoclipe reúne gerações em um manifesto de pertencimento, liberdade e celebração da negritude queer
A música nasce de uma lembrança dura: aos 10 anos, Fera foi expulso da escola após dublar Whitney Houston em uma apresentação improvisada para colegas. “Eu era só uma criança tentando existir e me expressar. Fui punido pela escola e carreguei esse trauma por muitos anos”, relembra.
Três décadas depois, o artista voltou ao mesmo colégio para gravar o videoclipe de “Prete Bixa”, agora acompanhado de uma coletividade de pretas bichas. “Voltar a esse espaço e ocupar a mesma sala de aula foi histórico. Transformamos dor em arte, silêncio em celebração”, diz.
Dirigido pelo cineasta carioca Macario, o clipe conecta a força do afrobeat à estética da cultura ballroom e vogue. “O que se vê é a diáspora preta e bixa em movimento, o encontro de gerações, os corpos que afirmam sua existência e transformam dor em celebração”, resume o artista. A participação de Diva Green, referência na estética das cabeças negras, reforça a atmosfera de ancestralidade e resistência coletiva.
Mais do que uma canção, “Prete Bixa” é manifesto. “É música para dançar e pensar ao mesmo tempo. É política, é afeto e é festa”, afirma Fera.
SOBRE O ARTISTA
Marco Antonio Fera é cantor, compositor e performer que tem construído uma obra marcada pela fusão entre música, política e afeto. Nascido em Sorocaba (SP), o artista parte de experiências pessoais para criar narrativas universais sobre amor, liberdade e pertencimento. Seu trabalho dialoga com referências da música afro-brasileira, do funk, do samba e, mais recentemente, do afrobeat, sempre atravessado pela afirmação de corpos negros e dissidentes.
Com o álbum Corpo Desobediente (2023), Fera consolidou-se como uma das vozes mais potentes da cena independente brasileira. No disco, transformou vivências afetivas e políticas em canções que celebram o amor em suas múltiplas formas, criando contranarrativas à violência e à marginalização. O clipe “Três Meninos”, dirigido por May Mascarenhas, ganhou destaque ao retratar possibilidades de relações além das normas binárias, reforçando seu compromisso com uma arte libertária e afirmativa.
Agora, com “Prete Bixa”, Fera inaugura uma nova fase: mergulha no afrobeat, traz a dança para o centro da performance e ressignifica traumas da infância ao transformá-los em arte coletiva. Gravado na escola de onde foi expulso aos 10 anos, o videoclipe é manifesto de resistência e celebração, reafirmando o artista como criador de imagens e sons que projetam novas perspectivas para a negritude queer no Brasil.
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