De militante anarquista a divulgador científico: Caio Huck Spirandelli, do Universo Generalista

Criado em 2019, o Universo Generalista nasceu da vontade de registrar diálogos sobre ciência com amigos, inicialmente Bruno Macella Rodrigues, fisioterapeuta, e Valéria Duarte Garcia, educadora física

Por AD Luna

A edição #53 do InterD – ciência e cultura recebeu o economista e divulgador científico Caio Huck Spirandelli, do canal Universo Generalista. Criado em 2019, o projeto nasceu da vontade de registrar diálogos sobre ciência com amigos, inicialmente Bruno Macella Rodrigues, fisioterapeuta, e Valéria Duarte Garcia, educadora física. 

O canal evoluiu de simples gravações de conversas para um podcast estruturado, com pautas bem elaboradas e entrevistas interdisciplinares, abordando temas variados das áreas de humanas, exatas e biológicas. Spirandelli explicou que o nome do canal reflete a capacidade adaptativa do Homo sapiens, enquanto espécie generalista, e a proposta multidisciplinar do projeto. 

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Ouça “De militante anarquista a divulgador científico: Caio Huck Spirandelli, do Universo Generalista #53” no Spreaker.

Apesar da riqueza dessa abordagem, ele destacou os desafios de atingir um público homogêneo, o que limitou o retorno financeiro e levou à saída dos cofundadores. Hoje, ele mantém o canal sozinho, cuidando de todas as etapas de produção, desde a gravação e edição até a criação de conteúdo visual e publicação.

A trajetória pessoal de Caio também influencia o trabalho no podcast. Ele compartilhou sua experiência como militante anarquista por 15 anos, período em que desenvolveu habilidades de autogestão e autonomia em projetos coletivos.

Embora tenha se afastado da militância ideológica, os valores práticos e comportamentais adquiridos nesse período seguem presentes em sua vida e no projeto. Essa vivência contribuiu para sua abordagem interdisciplinar, que busca construir pontes entre diferentes áreas do conhecimento e promover trocas de ideias diversas.

Entre os temas e episódios destacados no podcast, Caio mencionou conversas com especialistas como José Carlos Souto (dieta low carb), Siddhartha Ribeiro (sonhos e evolução), Fernanda Paliano Fontes (ayahuasca e depressão), e Monja Coen (zen-budismo). Ele também enfatizou episódios que exploram questões mais amplas, como desigualdade de gênero, com a pesquisadora Alice Evans, e etnografia na China rural, com Gonçalo Santos. Outros episódios de destaque incluem discussões sobre mudanças climáticas em uma série com pesquisadores da rede Resiclima e diálogos iniciais sobre a dicotomia entre especialização e interdisciplinaridade.

Caio compartilhou ainda seus planos para o futuro do canal. No primeiro semestre de 2025, pretende abordar a teoria da decolonialidade, explorando suas origens, pressupostos e impactos no campo acadêmico e político, com destaque para conversas gravadas na África do Sul.

Além disso, planeja discutir a relevância dos registros etnográficos históricos para a antropologia e criticar a psicologia evolucionista, buscando compreender o que é universal no comportamento humano. 

No segundo semestre, pretende reduzir o ritmo de gravações para se dedicar à organização de ideias e à criação de um curso sobre letramento científico com foco na interdisciplinaridade.

Apesar das dificuldades de alcançar maior visibilidade devido à natureza ampla do conteúdo, Caio valoriza a diversidade e o rigor analítico do Universo Generalista, que se mantém como um espaço para promover diálogos enriquecedores e explorar temas complexos.

Ele acredita que o esforço de compreender diferentes áreas de conhecimento e abordar questões com profundidade é essencial para a divulgação científica.

Músicas

No InterD – ciência e cultura, Caio Huck Spirandelli escolheu três músicas com significados especiais para ele. A primeira, “Dança dos Pigmeus”, de Lena Baúli, homenageia uma amiga moçambicana e talentosa artista que ele conheceu por meio de conexões musicais, incluindo seu irmão.

A segunda, “Amizade Prevalece”, da banda Babum, reflete sua ligação com o movimento punk e a cena cultural do Grande ABC, sendo um símbolo de amizades e memórias locais.

Já a terceira, “Unknown Road”, da banda Pennywise, representa sua visão de vida e coragem para seguir caminhos desafiadores, conectando-se à sua trajetória na divulgação científica.

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