Coletivo paulistano indicado ao Prêmio APCA investiga memória corporal e afirma o protagonismo negro ao unir dança, teatro, música e circo
Consolidada como um dos grupos mais instigantes do cenário paulistano, a Cia Forè dedica-se a uma pesquisa que mergulha em danças africanas, especialmente do oeste do continente, e em manifestações ritualísticas ligadas às tradições afro-brasileiras. Com uma abordagem que considera o corpo como agente político e poético, o coletivo investiga como memórias ancestrais atravessam os corpos negros contemporâneos, transformando a dança em ferramenta de afirmação de identidade e combate ao racismo.
“A gente entende o corpo negro como um arquivo vivo. Quando dançamos, não estamos apenas criando estética; estamos acessando memórias, histórias silenciadas e saberes que resistem no corpo. Criar um grupo, todo mundo pode criar. Criar um grupo para o mundo e para as pessoas com quem me identifico, e que ainda vão adentrar a companhia, é pensar em um futuro ancestral.”
Fundada em 2023 por Ton Moura, artista com mais de dez anos de atuação profissional, a companhia surgiu da necessidade de expandir repertórios e construir narrativas próprias, enraizadas na ancestralidade e nas vivências periféricas. O núcleo inicial, composto por Miguel Menezzes, Nayla Delfino, Thaise Reis e Jhefferson Gomes, logo se ampliou com a chegada de Erick Malccon, Kidauane Regina, Rafa Araújo e Acauã Soli. Todos os integrantes do corpo de dança possuem ampla experiência no mercado cultural e formação multidisciplinar que atravessa dança, teatro, música e circo.
“A Forè nasce do desejo de criar a partir de quem somos e de onde viemos. São corpos atravessados pela periferia, pela negritude e pela ancestralidade, criando a partir dessas vivências e não apesar delas, contando nossas histórias por nós mesmos.”
Entre os pilares conceituais que orientam a criação, destaca-se a palavra Umzimba, da etnia Xhosa, da África do Sul, que designa o corpo físico e espiritual em profunda conexão com a comunidade. Esse conceito norteou o desenvolvimento do primeiro espetáculo do grupo, CABAÇAS: Memórias Umzimba, contemplado pelo programa VAI 1 em 2024. A obra estreou em maio de 2025 e narra o encontro de uma jovem com uma figura mística que a presenteia com cabaças, frutos sagrados que acionam forças ancestrais.
“A cabaça é símbolo de memória, de saber e de continuidade. Ela carrega histórias, cantos e movimentos que atravessam gerações. O espetáculo é um convite para escutar o que esses objetos e esses corpos têm a dizer. Quando o projeto é contemplado pelo VAI 1, entendemos que é hora de fazer o movimento artístico mudar ou se ampliar na cena de São Paulo. Forè significa preto na língua e etnia Sussu. Como filhos da África e do Brasil, temos o cuidado e a persistência de contar um lado que quase nunca é contado: um lado bonito, poético, vivo e abundante em danças e poesias.”
A relevância técnica e artística do trabalho da Cia Forè foi reconhecida com a indicação ao Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), na categoria técnica, cuja cerimônia está prevista para janeiro de 2026. O grupo também realizou temporada no Sesc 24 de Maio, reafirmando a potência dos saberes tradicionais em diálogo com o território urbano.
“Essa indicação não é só sobre a gente; é sobre a potência da dança que nasce nas quebradas e ocupa espaços historicamente negados aos nossos corpos. Quando somos indicados pela estética do espetáculo TRANÇAS, estamos abrindo uma categoria milenar. Carregamos em nossos Orís a beleza da realeza dos nossos ancestrais.”
Seguindo em pesquisa contínua, a companhia projeta 2026 como um ano de expansão e aprofundamento artístico. Entre os próximos passos estão a circulação ampliada de CABAÇAS: Memórias Umzimba, a inscrição e o desenvolvimento de novos projetos por meio de editais como VAI 2, SESI e programas de circulação em âmbito nacional, além da criação de novas obras que seguem investigando corpo, ancestralidade e território.
“Nosso desejo é circular mais, alcançar outros públicos e fortalecer uma rede de dança preta contemporânea no Brasil, do nosso jeito. A Forè segue em movimento, plantando futuro sem abrir mão da memória.”
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