A história do “Brazil: forró – music for maids and taxi drivers” começou quando Zé da Flauta conheceu, Duda da Passira e Toinho de Alagoas
Por AD Luna
Do músico e produtor pernambucano Zé da Flauta, por telefone, para o sanfoneiro caruaruense Heleno dos Oito Baixos:
– “Ô, Heleno, tudo bem? Rapaz, fosse indicado ao Grammy!”.
– “Mas seu Zé, eu não jogo mais bola, não!”.
Rindo, Zé insiste:
– “Se liga, Heleno. Agora tu és um cara internacional!”.
– “Ô, seu Zé! Mas, finalmente, é Grêmio ou Internacional?”.
O inusitado diálogo aconteceu em 1991 e faz parte de uma série de episódios que envolveram a indicação do disco “Brazil: forró – music for maids and taxi drivers” ao mais conhecido prêmio da indústria da música, naquele mesmo ano.
A façanha ganha ainda mais mérito por ter acontecido numa época em que não existia a versão latina do Grammy, criada em 2000 pela Academia Latina de Artes e Ciências Discográficas (ALACD) dos Estados Unidos, com o intuito de premiar especificamente os artistas de língua espanhola, e parte dos músicos brasileiros.
Além de Heleno, tocam no disco Duda da Passira, José Orlando e Toinho de Alagoas, que mostram seu talento em 17 faixas com xotes, xaxados, baiões e até frevo. O feito ainda repercute na memória e na carreira dos envolvidos. Porém, paradoxalmente, é mais fácil comprar o disco em lojas virtuais estrangeiras do que em território nacional, onde ele se encontra fora de catálogo.
De acordo com Zé da Flauta, a história do “Brazil: forró – music for maids and taxi drivers” começou em 1981, quando ele conheceu, no Recife, Duda da Passira e Toinho de Alagoas. Os músicos participavam da gravação de um dos discos da série Caravana de Ivan Bulhões, radialista, compositor e um dos grandes divulgadores do forró autêntico no Estado.
Logo depois das gravações, Zé da Flauta se mudou para a cidade do Rio de Janeiro. Lá, apresentou as duas fitas para Carlos de Andrade, Carlão, dono da gravadora Vison Digital e do Master Studios, cujos escritórios se localizavam no bairro de Laranjeiras.