Imagem de Marisa04 por Pixabay
Pergunta feita para Derley Menezes, no programa InterD: Sistemas de crenças e/ou práticas como budismo, mesmo não tendo a figura de um deus criador e a noção de alma, podem ser chamados de religião? Aqui e ali, vemos alguns ateus dizendo que o budismo não pode ser chamado de religião por não possuir crenças semelhantes às que predominam no ocidente. A seguir, a resposta dele.
Por Derley Menezes*
Quando você adota um formato pré-determinado para analisar as religiões e com isso definir o que é religião do que não é religião, como muitos ateus fazem, você está apenas apresentando uma versão laicizada de um tipo de preconceito religioso comum na relação do cristianismo com as religiões asiáticas.
Durante muito tempo as religiões da Ásia eram chamadas genericamente de paganismo e com isso se entendia que eram essencialmente supersticiosas e erradas. Com o tempo tivemos a descoberta e tradução de textos religiosos de várias tradições e essa ideia caiu por terra por ser simplista demais.
Ouça “Ciência, religião, espiritualidade e budismo com Derley Menezes – #04” no Spreaker.
Me parece que o ateísmo que defende esse tipo de visão troca cristianismo por ateísmo e analisa a partir daí tudo de modo superficial.
Falando do budismo, de fato não há a ideia de um Deus criador em nenhuma escola budista. Também não existe no budismo um conceito de alma similar ao que costuma se entender por ela no ocidente.
Mas temos nas várias tradições uma noção de transcendência que só pode ser alcançada por meio de práticas não só meditativas, mas também morais, um dos pilares comuns a todas as tradições budistas é a moralidade (existem 5 treinamentos que sintetizam a moralidade budista).
Além disso, nos textos sagrados temos várias passagens nas quais seres imateriais aparecem e interagem com monges ou com o Buda e por vezes o Buda ou algum discípulo vai até os reinos imateriais onde esses seres vivem.
Há uma tendência de apagamento desses aspectos do budismo em nome de uma versão mais “científica” dessa tradição de modo a transformá-la em algo mais palatável para os ocidentais. Se todos os budistas acreditam nesses aspectos da religião é outra discussão, mas é inegável que eles estão nos cânones.
*Derley Menezes é doutor em Ciências das Religiões pela UFPB, autor do livro “Nietzsche e o Budismo – Entre a Imanência e a Transcendência”
Nietzsche e o Budismo – Entre a Imanência e a Transcendência
Por Derley Menezes Alves
O livro Nietzsche e o Budismo: entre a imanência e a transcendência apresenta uma nova perspectiva acerca da relação entre Nietzsche e o budismo. Nele o autor investiga em primeiro lugar as fontes lidas pelo filósofo alemão de modo a oferecer ao leitor uma visão mais clara acerca do contato real que Nietzsche teve com o budismo.
Em seguida, a partir desta base, temos uma comparação entre o budismo conhecido por Nietzsche e sua filosofia tendo como fios condutores os conceitos de imanência e transcendência.
Trata-se de uma obra importante para estudiosos de orientalismo e das conexões entre filosofia e religião para além das tradições monoteístas.
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