Angra prepara show especial para o Bangers Open Air 2026

Angra da formação do álbum “Rebirth”. Reprodução
O espetáculo criado para o festival será dividido em duas partes, simbolizando diferentes fases do grupo
O Angra prepara show especial no Bangers Open Air 2026. A apresentação, única no Brasil, reunirá no mesmo palco a formação Nova Era de “Rebirth”, com Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Felipe Andreoli e Aquiles Priester dividindo o palco com os atuais integrantes da banda. O espetáculo será dividido em duas partes, cada uma representando um período da trajetória do grupo, com destaque para a Nova Era.
A reunião marca os 25 anos de “Rebirth”, álbum que reposicionou o Angra após um período turbulento e que, ao lado de “Temple of Shadows” e “Aurora Consurgens”, consolidou a segunda fase da banda após o período inicial com Andre Matos em “Angels Cry” (1993), “Holy Land” (1996) e “Fireworks” (1998). A fase recente estará representada por “Secret Garden” (2014), “Ømni” (2018) e “Cycles of Pain” (2023).
A negociação
Paulo Baron afirmou que o convite do Bangers para reunir diferentes formações do Angra foi recebido com disposição, mas exigiu alinhamentos. “Era imprescindível que a formação atual estivesse no projeto. Insisti que todos, incluindo Aquiles e Edu, da fase do ‘Rebirth’, precisavam estar juntos. Só assim a negociação avançou”, disse.
Segundo Baron, o processo envolveu conversas longas e ajustes de agenda, favorecidos pela pausa recente das atividades do Angra. “Muitas arestas já vinham sendo resolvidas há algum tempo, e o anúncio da pausa deixou os músicos livres para outros projetos. A partir daí, fomos conversando com cada um até chegar a este momento. Parabenizo o Bangers por colocar uma banda brasileira como headliner. Damaris Hoffman, hoje diretora do festival, foi minha assessora de imprensa por mais de dez anos na Top Link Music, e Claudio Vicentin começou como roadie do Angra. Há uma história envolvida nisso”, concluiu.
Importância para o metal brasileiro
Rafael Bittencourt afirmou que o momento é relevante para a banda e para o metal brasileiro. “O Bangers Open Air é um festival brasileiro de rock pesado, com profissionais brasileiros, e ter um headliner brasileiro será importante para mostrar a força do heavy metal no Brasil e do Angra. Ainda temos desafios para entrar no circuito mundial, mas temos bandas, produtores, casas de show e público.”
Ele comenta a trajetória interna da banda. “Vivemos mudanças e desafios, mas deixamos um legado com músicas marcando gerações. Inspirar pessoas é o principal que uma banda pode fazer. Vamos nos reunir para celebrar a história e o que criamos juntos.”
Retorno ao passado
Kiko Loureiro, integrante da banda entre 1992 e 2015, afirma que, mesmo residindo no exterior e mantendo outros compromissos, acompanha o Angra. “Veio o assunto do Bangers Open Air, do convite, e conversei com o pessoal. Pensei, repensei e aceitei participar porque tenho orgulho dos álbuns que fizemos, do ‘Rebirth’, ‘Temple of Shadows’ e ‘Aurora Consurgens’, além dos anteriores e posteriores. É celebrar essa formação, já que o Andre não está mais aqui.”
Sobre o festival, Kiko comenta: “A produção é de amigos que conheço. Morando fora, ver coisas acontecendo no Brasil gera vontade de estar presente. Estou motivado para celebrar esse momento após o ‘Rebirth’. Agora é voltar, encontrar os músicos anos depois e fazer o show no festival brasileiro.”
A evolução constante
Felipe Andreoli observa que superar desafios foi característica da banda. “Durante ‘Rebirth’ havia pressão. O sucesso inesperado nos deu confiança para explorar em ‘Temple of Shadows’. Aprendi que cada troca e evolução pessoal moldaram nossa identidade. Nenhum disco é igual ao outro, e isso sempre foi intencional.”
Andreoli comenta a fase recente: “‘ØMNI’ refletiu novas influências. Já ‘Cycles of Pain’ representa um período de amadurecimento, incorporando elementos inéditos sem perder a identidade da banda.”
Respeito e identidade
Marcelo Barbosa afirma que todos estão motivados para o momento. “O equilíbrio entre o respeito pela história da banda e o legado do Kiko é algo que levo a sério. Ao mesmo tempo, tenho oportunidade de imprimir meu estilo nas músicas e discos. É importante respeitar todas as fases de uma banda com 30 anos de história.”
Mas mantém um tom neutro sobre o impacto. “O show será um marco da trajetória do Angra.”
Para fazer história
Para Bruno Valverde, o show representa um momento relevante. “Reunir fases distintas da banda nesse formato tem significado. Depois de tantos anos contribuindo com o legado, participar deste capítulo tem peso. A música traz desafios, e o Angra possui um registro consolidado.”
Valverde acrescenta: “Fazer isso no Bangers tem importância. Será um show marcante para a banda e para quem acompanha o cenário.”
A despedida
O último show de Fabio Lione com o Angra será no Bangers Open Air. Ele declarou: “Estou feliz pela banda e pelo que conquistamos. Será um show com emoções para todos. Este será meu último show com eles depois de mais de 13 anos. É o fim de um ciclo e o começo de outro. Agora é hora de pensar em mim, talvez gravar CDs novos e ter surpresas para os fãs.”
Um novo começo
Alírio Netto afirmou sobre sua estreia: “Estrear como vocalista do Angra no Bangers Open Air ficará marcado na minha história. Ver a banda reunida com propósito é significativo. Fazer parte desse momento é uma honra. Este show é um marco.”
O ciclo que se fecha e se renova
Aquiles Priester recorda sua trajetória: “Em 1996, fui assistir a um show do Angra e isso me motivou a montar uma banda. Em 1998, o Hangar abriu o show deles e, em 2000, eu estava em São Paulo gravando a demo do Angra.”
Ele relembra sua apresentação no W.A.S.P. no Bangers Open Air em 2025: “Minutos antes do show, Blackie Lawless me deu a chance de escolher entre fazer um solo ou falar com o público. E eu disse: ‘Prefiro falar com o meu povo’.”
Agora retorna ao festival com o Hangar e o Angra. “O Hangar fará um show para celebrar nossa história e, ao mesmo tempo, a formação do ‘Rebirth’ se reúne. Quem estiver no Bangers Open Air 2026 fará parte de um capítulo da história do metal brasileiro.”
Um portal no tempo
Edu Falaschi vê o reencontro como algo simbólico. “É como abrir um portal no tempo. É uma celebração. Poder mostrar a força daquela formação e reviver as canções será significativo, ainda mais no Bangers, no Brasil.”
Ele recorda o período pós-“Rebirth” e o impacto de “Temple of Shadows”.
Juan Corral, empresário de Edu Falaschi, afirma: “A fase ‘Rebirth’ e ‘Temple of Shadows’ reposicionou o Angra no cenário mundial. Revisitar esse repertório vai além da nostalgia. É o reconhecimento de um legado.”
Corral cita o papel de Damaris Hoffman e Márcio Sinzato: “Eles compreenderam o peso desse reencontro e conectaram as partes envolvidas. Celebrar isso no Bangers Open Air é simbólico.”
O Bangers Open Air 2026 ocorrerá nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo. O festival reunirá diferentes fases do ‘Angraverso’, celebrando a história e a trajetória do Angra.
Com informações de Ricardo Batalha.
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