Maré recebe Festival DE FAVELAS em celebração aos 25 anos do Observatório de Favelas
Maré recebe Festival DE FAVELAS em celebração aos 25 anos do Observatório de Favelas

Evento gratuito reúne intelectuais, artistas, lideranças comunitárias, pesquisadores e comunicadores para refletir sobre o presente e o futuro das favelas e periferias a partir de temas como democracia, cultura, direito, comunicação e tecnologia
Em 2026, o Observatório de Favelas celebra 25 anos de atuação com um grande encontro que reúne pessoas, culturas e territórios. No dia 22 de agosto, o Festival DE FAVELAS – 25 anos acreditando nas potências dos territórios populares ocupa o Galpão Bela Maré com uma programação gratuita com mesas de diálogo, sessão de cinema, abertura de exposição, oficina e apresentações musicais. O evento celebra a trajetória da instituição e promove reflexões sobre o presente e os caminhos para o futuro das favelas e periferias.
A inspiração do Festival parte de uma imagem recorrente nas arquiteturas das favelas: o vergalhão que permanece exposto nas construções. Longe de representar algo inacabado, ele simboliza continuidade e a proposta de criar novas possiblidades, de ir além. A imagem sintetiza o espírito da celebração: reconhecer o legado construído coletivamente ao longo dos últimos 25 anos e reafirmar o compromisso com os futuros que seguem sendo erguidos a partir das potências dos territórios populares.
“Essa comemoração também é um gesto de gratidão e de responsabilidade. Gratidão por tudo o que foi construído coletivamente e responsabilidade por seguir ampliando esse legado. Por isso, o Festival parte da imagem do vergalhão exposto nas construções das favelas: uma estrutura que anuncia continuidade. A base existe porque muitas pessoas a construíram, mas ela permanece aberta para que outras gerações possam seguir erguendo novos andares dessa história”, afirma Isabela Souza, que integra a diretoria do Observatório de Favelas ao lado de Elionalva Sousa, Priscila Rodrigues e Raquel Willadino. A atual direção da instituição é composta integralmente por mulheres.
Reunindo grandes vozes da produção intelectual, artística, cultural e política das periferias, o Festival promove uma programação que articula diferentes atividades abertas e gratuitas ao público. Entre mesas de diálogo, oficina, sessão de cinema, exposição e atrações musicais, o evento aborda temas como democracia, direito à cidade, cultura, memória, comunicação, participação social e produção de conhecimento a partir das favelas e periferias.
Fundado em 2001, na Maré, o Observatório de Favelas tornou-se referência nacional e internacional na produção de conhecimento, formação, comunicação, incidência política e ações culturais voltadas ao fortalecimento das favelas e periferias brasileiras. Ao longo de sua trajetória, consolidou uma perspectiva que reconhece esses territórios como espaços de criação, produção de conhecimento e transformação social. Para os próximos anos, o desafio é ampliar ainda mais o protagonismo de quem vive nesses territórios e fortalecer a diversidade de vozes capazes de construir novos olhares sobre suas realidades.
“Quando eu penso nos próximos 25 anos, espero que moradores de favelas e periferias estejam cada vez mais produzindo suas próprias narrativas, contando suas próprias histórias e apresentando outras perspectivas. Que tenhamos cada vez mais pessoas negras, LGBTs, faveladas, periféricas, indígenas e pessoas com deficiência narrando a própria realidade e rompendo, todos os dias, com a narrativa única e com os estereótipos construídos sobre esses territórios” comenta Priscila Rodrigues.
Programação
A programação tem início com uma sessão especial do CineBela, cineclube do Galpão Bela Maré, que apresenta a animação Como Mágica, dirigida por Nathan Greno. Após a exibição, Pietra Mesquita e Ysake Rosa participam de um bate-papo com o público sobre os temas abordados pelo filme, ampliando a reflexão sobre convivência, diversidade e construção coletiva.
Ainda pela manhã, o artista e pesquisador Thiago Britto ministra a oficina “A tecnologia da imaginação”, que propõe uma experiência de criação a partir das memórias, afetos e repertórios dos participantes. Por meio da escrita, do desenho e da fotografia, a atividade investiga como a inteligência ancestral e as narrativas visuais podem fortalecer os vínculos com o território e ampliar as possibilidades de imaginar futuros.
Entre os destaques da programação está também a abertura da exposição “Tudo começa pelo território”, concebida especialmente para celebrar os 25 anos do Observatório de Favelas. Em uma parceria entre o Galpão Bela Maré e o Programa Imagens do Povo, iniciativas da instituição, a mostra reúne fotografias, obras audiovisuais e trabalhos de artistas, fotógrafas, fotógrafos, pesquisadores e realizadores que integram o acervo construído pela instituição ao longo de sua trajetória. Com curadoria de Ana V. Lopes e Monara Barreto, a exposição apresenta trabalhos de AF Rodrigues, Ana Bia Novais, Arthur Viana, Caio França, Diego Reis, Elisângela Leite, Francisco Valdean, Gabe Ferreira, Patricia Dias Belaestilosa, Ratão Diniz e Thanis Parajara.
Ao longo da tarde, o público poderá acompanhar três mesas de diálogo dedicadas a temas que atravessam a trajetória do Observatório de Favelas e os desafios contemporâneos das favelas e periferias. Os encontros reúnem intelectuais, artistas, lideranças comunitárias, pesquisadores e representantes de movimentos sociais para discutir organização coletiva, democracia, direitos, cultura, memória e produção de narrativas.
A primeira mesa, “Mutirão: a força do fazer junto”, discute o papel da organização coletiva na construção dos territórios populares. Em seguida, “Bem-viver, território e democracia” aborda temas como cuidado, justiça social, participação democrática e direito à cidade. Encerrando a programação de debates, “Inventar futuros: cultura, memória e produção de narrativas” reúne diferentes perspectivas sobre o papel da arte, da comunicação e da memória na valorização das favelas e na construção de novos imaginários para esses territórios.
Entre os convidados confirmados para os diálogos estão Ana Santos, Dauá Puri, Ricardo Henriques , Eliana Sousa, Aliã Wamiri Guajajara, Ana Carolina Lourenço, Marcelle Decothé, Akili Ribeiro, Silvana Bahia, Paulo Andrade, Rapha Vicente e Francisco Valdean, com mediação de Junior Pimentel, Raquel Willadino e Anna Luisa Oliveira.
Encerrando a programação, o Festival promove uma grande celebração musical com roda de samba do Grupo Arruda, seguida de um set da DJ Bieta. Aberta ao público, a festa reforça a cultura como espaço de encontro, convivência e fortalecimento dos vínculos comunitários.
O Festival De Favelas conta com o apoio da Fundação Tide Setubal, patrocínio do Instituto Unibanco e realização do Observatório de Favelas.
SERVIÇO | Festival DE FAVELAS – 25 anos acreditando nas potências dos territórios populares
Data: 22 de agosto de 2026 (sábado)
Horário: A partir das 10h
Local: Galpão Bela Maré
Endereço: Rua Bittencourt Sampaio, 169 – Nova Holanda, Maré – Rio de Janeiro (RJ)
Entrada: Gratuita
Programação
10h – CineBela apresenta a animação Como Mágica, de Nathan Greno, seguida de bate-papo com Pietra Mesquita e Ysake Rosa
11h às 13h – Oficina “A tecnologia da imaginação”, com Thiago Britto.
14h00 – “Abrindo os trabalhos” Saudação da Diretoria (Elionalva Sousa, Isabela Souza, Priscila Rodrigues e Raquel Willadino)
14h00 – Abertura da exposição “Tudo começa pelo território”.
14h às 15h30 – Roda de conversa: Mutirão: a força do fazer junto
15h30 – Roda de conversa: Bem-viver, território e democracia
17h – Roda de conversa: Inventar futuros: cultura, memória e produção de narrativas
18h30 – começo-meio-começo – Saudação dos fundadores (Jailson Sousa e Jorge Barbosa)
19h – Celebração musical | Roda de samba com Grupo Arruda | Set da DJ Bieta
Exposição
Tudo começa pelo território
Período: 22 de agosto a 26 de setembro de 2026
Visitação: Terça a sábado, das 10h às 18h
Local: Galpão Bela Maré
Entrada gratuita
Sobre o Observatório de Favelas
O Observatório de Favelas, criado em 2001, é uma organização da sociedade civil sediada no Conjunto de Favelas da Maré, com atuação nacional. Dedica-se à produção de conhecimento e metodologias visando incidir em políticas públicas sobre as favelas e promover o direito à cidade. Fundado por pesquisadores e profissionais oriundos de espaços populares, tem como missão construir experiências que contribuam para a superação das desigualdades e o fortalecimento da democracia a partir da afirmação das favelas e periferias como territórios de potências e direitos. Atualmente, desenvolve programas e projetos em cinco áreas: Arte e Território, Comunicação, Direito à Vida e Segurança Pública, Educação e Políticas Urbanas.
