Carta de apoio à permanência das versões impressa e on-line da Revista Pesquisa Fapesp

Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência lança manifesto público em defesa da continuidade da publicação “como espaço de jornalismo científico independente, crítico e especializado”. Documento já recebeu mais de 700 assinaturas de jornalistas, divulgadores científicos, pesquisadores e professores e está aberto para novas adesões
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) anunciou recentemente a criação de uma nova plataforma integrada de divulgação científica, que reunirá a revista Pesquisa FAPESP, a Agência FAPESP e o boletim Pesquisa para Inovação sob a gerência de comunicação da fundação.
Trata-se de um movimento institucional de grande alcance, que reconfigura a forma como a ciência paulista se apresenta ao público e centraliza fluxos editoriais historicamente autônomos.
No entanto, ao fazê-lo, o novo modelo parece prescindir justamente do principal ativo simbólico e editorial construído ao longo de mais de duas décadas: a revista Pesquisa FAPESP como espaço de jornalismo científico independente, crítico e especializado.
A revista não é apenas um canal de divulgação. Ela consolidou-se como referência nacional em jornalismo científico, com identidade editorial própria, curadoria rigorosa e compromisso com a mediação qualificada entre ciência e sociedade. Isso sem abrir mão da edição impressa, o que é uma raridade e um movimento de resistência no mercado jornalístico hoje em dia.
A revista conta com tiragem média mensal de 28,5 mil exemplares, é distribuída de forma gratuita para pesquisadores que têm projetos financiados pela Fapesp e é também enviada a bibliotecas, escolas e outras instituições de ensino. Além disso, dispõe de cerca de 5 mil assinantes pagos e vende em torno de 800 exemplares por mês em banca. Todo o conteúdo produzido é também disponibilizado gratuitamente no site.
Diluir essa experiência em uma estrutura comunicacional subordinada à lógica institucional implica riscos concretos à autonomia editorial, à diversidade de abordagens e à própria credibilidade construída ao longo do tempo.
Além disso, qualquer transformação dessa natureza deveria observar, com ainda mais cuidado, os princípios da transparência, da publicidade e da participação, especialmente quando se trata de iniciativa financiada com recursos públicos e voltada à divulgação de pesquisa também custeada por financiamento público.
Desde sua origem, na década de 1990, a Revista Pesquisa FAPESP é fruto de uma construção cuidadosa em jornalismo científico e ajudou a moldar a maneira como a ciência brasileira é narrada e pensada no espaço público.
Ela se caracteriza por reportagens analíticas e interpretativas sobre a ciência nacional e internacional, dando especial ênfase à ciência produzida em São Paulo e ainda abrindo espaço para fontes de outras regiões brasileiras e até de outros países. Ou seja, é influente no mercado brasileiro e projeta uma ciência plural a partir de diferentes centros de pesquisa por aqui e lá fora.
Reorganizar é legítimo. Modernizar é necessário. Mas enfraquecer um patrimônio editorial consolidado em nome de uma integração administrativa pode significar empobrecer o debate científico no país.
*A Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência (RedeComCiência) foi fundada oficialmente no dia 4 de fevereiro de 2019. Desde então, reúne profissionais e pesquisadores interessados em melhorar a qualidade do jornalismo e da comunicação de ciência no Brasil. Saiba mais: https://www.redecomciencia.org/
Assinam este documento jornalistas, divulgadores científicos, cientistas e cidadãos que apoiam o jornalismo científico (veja a lista completa e atualizada aqui).
Para assinar a Carta acesse https://forms.gle/GugAd9qYEu5STokh8. Apoie o Jornalismo Científico brasileiro!
RedeComCiência
