Definição de normatividade e teoria
Rubin define “normatividade” como afirmações morais do tipo “devemos fazer isto” ou “isto é ruim”, que vêm dominando cada vez mais os discursos acadêmicos, especialmente nas áreas de estudos prisionais, criminologia crítica e estudos pós-coloniais. Ela argumenta que, enquanto cientista social, suas próprias crenças políticas ou morais podem influenciar a escolha dos temas de pesquisa, mas não devem determinar as conclusões, que precisam ser orientadas pelos dados.
Já a “teoria”, para ela, exige duas características fundamentais: uma explicação clara e algum nível de abstração ou generalização para além do caso específico estudado. No entanto, observa que muitos trabalhos atuais falham nesse aspecto, recorrendo a termos vagos e politicamente carregados — como “carceralidade”, “Estado carceral” ou “complexo prisional-industrial” — sem definições rigorosas, o que dificulta a comunicação científica e a acumulação de conhecimento.
Análise do uso de termos e contexto político
Por meio de análises simples de frequência de palavras em revistas acadêmicas relevantes, Rubin identifica um aumento significativo no uso desses termos desde 2016, com um crescimento acentuado a partir de 2020, coincidindo com eventos como a eleição de Donald Trump, a pandemia de Covid-19 e o movimento Black Lives Matter.
Esses conceitos frequentemente funcionam como sinais de afiliação ideológica (“shibboleths”), demonstrando engajamento político mais do que contribuindo para a compreensão científica. Além disso, ela observa que até resenhas de livros e revisões acadêmicas passaram a criticar obras por não serem suficientemente ativistas, o que distorce o propósito da pesquisa acadêmica.
Rubin também aponta que essa tendência não se limita à sociologia, estendendo-se a áreas como psicologia, ciência política e até campos das ciências exatas e naturais, nos quais a neutralidade científica vem sendo comprometida por pressões políticas.
Ativismo, consequências e propostas
Rubin manifesta preocupação com as consequências desse movimento: a erosão das normas científicas, a censura — individual ou institucional — de dados considerados incômodos, como disparidades raciais nas taxas de criminalidade, e a perda de foco em mecanismos causais concretos que poderiam, de fato, contribuir para a melhoria das condições de grupos marginalizados.
Ela relata exemplos emblemáticos, como estudantes que criticam pesquisas legítimas pelo uso de expressões como “comportamento inadequado de presos”, ignorando que o termo pode se referir, por exemplo, à violência entre pessoas privadas de liberdade. Para enfrentar esse cenário, Rubin defende o restabelecimento claro das normas acadêmicas, a formação rigorosa em teoria e metodologia e a rejeição de práticas como a contratação baseada em alinhamento político.
Em vez de abolir padrões sob o argumento da inclusão, ela propõe ensiná-los de forma transparente e acessível, garantindo que todos possam participar de um debate científico consistente, independentemente de sua origem. Segundo Rubin, o objetivo final da pesquisa acadêmica deve ser a promoção de boas práticas científicas, e não a validação de agendas políticas.
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