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Layse lança “Música Mundana” e eleva o som do Norte à cena pop eletrônica

“Cresci ouvindo a expressão ‘música do mundo’. Mas por que a nossa não seria? “Música Mundana” é o som do mundo visto do ponto de vista de uma mulher da Amazônia”, destaca Layse.
A direção musical do EP é assinada pela própria Layse, que gravou a maior parte dos instrumentos – percussões, synths, teclas, baixos e violão -, construindo, faixa a faixa, uma paisagem sonora que parte de Belém e reverbera para o mundo. “É música de pista com o nosso sotaque. É sobre liberdade criativa, sobre fazer agora, sem esperar as condições ideais. É batida, é corpo, observação que vira poesia – e é também resistência”.
Abrindo o EP, “Brega da Brincadeira” surge como um tributo às aparelhagens e à dança, marcada por percussões e pela memória afetiva das segundas-feiras paraenses – a famosa “folga do garçom”. Em “Voando com o J Som”, Valéria Paiva (Fruto Sensual), ícone do tecnobrega e voz histórica das aparelhagens, divide os vocais com Layse em um encontro de gerações e territórios. “Som de Muleca Doida”, parceria com Bruna BG, mergulha no diálogo entre ragga, rap e latinidades, em clima de pista e celebração. Já “Extrago”, com o duo Lambada da Serpente e do guitar hero Manoel Cordeiro, mestre da lambada e do brega, desacelera o ritmo e revela um lado mais romântico e introspectivo da artista, em um ambiente de boemia poética. O EP se encerra com o remix de “Voando com o J Som”, assinado por DJ Moisés Coelho, que resgata o espírito das aparelhagens e a batida clássica do brega pop dos anos 2010. A mixagem e masterização são de Armando de Mendonça, parceiro de longa data da artista.
Natural de Belém, Layse é baterista e, desde a infância, carrega a musicalidade do Marajó no sangue e transforma referências do cotidiano caboco e da cidade em potência criativa. Com presença marcante e domínio de palco, propõe uma fusão viva entre performance, ritmo e identidade.
“Este EP é um marco pessoal. Me joguei no eletrônico, assumi a direção e convidei pessoas que admiro – do brega ao rap, passando pelas lambadas e o synth. É Belém falando alto e esse Norte sempre no centro da pista”.
FAIXA A FAIXA ASSINADO POR LAYSE
Brega da Brincadeira
Essa foi a faixa que abriu o EP e é a única em que eu estou completamente sozinha – ou quase. A única participação é no baixo, tocado pelo Neto Barros, que é filho de um grande amigo e músico do Pará, que infelizmente faleceu no ano passado, Charles Barros. A presença do filho dele no álbum deixou a faixa mais especial ainda, eu tocava com ele e agora com o filho dele, apesar de dolorido, é bonito ver como a vida se renova e mais uma vez a música faz parte disso.
A música é minha composição e eu mesma que gravei todos os instrumentos, com exceção do baixo. Ela fala sobre a segunda-feira, um dia marcante na vivência das aparelhagens. É o dia da famosa “folga do garçom”, quando quem trabalha com entretenimento, como mototáxis, feirantes, a galera da noite, pode aproveitar e curtir.
Na letra, eu brinco com isso: “Eu não sei se vou pro Rubi ou pro Carabao, só sei que eu vou pra aparelhagem”. A faixa também homenageia os dançarinos e as equipes de aparelhagem, que são parte essencial desse universo, como a Big Show (figura lendária da dança) e a equipe Potentes do Brega. Sempre digo que a cultura da aparelhagem e a cultura da dança caminham juntas, uma não vive sem a outra.
Musicalmente, ela aprofunda meu estudo recente na música eletrônica. Foi uma faixa que fiz praticamente toda sozinha e que representa um convite e ponto de partida dessa minha nova fase.
Voando com o J Som (feat. Valéria Paiva)
Essa faixa nasceu de um pedido das fãs da página Central Layse, Karol e Bea, especialmente para a cidade de Melgaço, na Ilha do Marajó – lugar onde o brega é muito forte. Elas me pediram uma música em homenagem à aparelhagem Jota Som, uma das mais antigas do Marajó.
Quando decidi incluí-la no EP, convidei a lendária Valéria Paiva, conhecida como a rainha das aparelhagens. Ela curtiu a ideia, gostou da letra e topou gravar comigo.
A letra tem um tom divertido e retrata alguém do interior indo curtir uma festa na capital, com frases como: “Chegando no meu barco internacional” – uma brincadeira com essa mania de tudo agora ser “internacional”, até o Marajó!
Essa música também tem um significado pessoal pra mim, porque minha família materna é toda do Marajó, e foi lá onde vivi minha primeira infância e toda minha referência cultural, de linguagem e musical. Além da homenagem à Valéria e ao Jota Som, essa faixa é um abraço carinhoso nas equipes de dança, na fênix do JSom e na galera de Melgaço.
Som de Muleca Doida (feat. Bruna BG)
Som de Moleca Doida foi, na verdade, a primeira música que eu compus nesse processo todo. Começou com um tema instrumental que eu criei enquanto explorava o Balafon – um instrumento de origem africana – e por um tempo ela ficou esquecida. Inclusive, chegou a ser usada como trilha sonora de um filme.
Mas eu queria muito que a Bruna BG participasse do projeto. Ela é minha conterrânea de Breves, minha irmã no rap, uma parceira que admiro demais. Mostrei o tema pra ela, e disse: “Amiga, vou abrir um buraco aqui pra ti na música”. Ela fez a letra, eu escrevi o refrão: “Se tu quer quer balançar / Vem que eu vou te ensinar…” – que brinca com essa ideia da dança e da molecagem.
A faixa é uma mistura de muitas influências. Tem uma base de ragga, ritmos latinos, uma batida dançante, e um sample escondido de uma música chamada Lambada Pauleira, da banda Os Panteras, que tem um balanço bem característico do Pará. É uma faixa que foge um pouco do tecnobrega, do bolero, e mostra um lado mais experimental meu, tanto nos timbres quanto nos ritmos. Uma música muito especial pra mim – e muito ousada também.
Extrago (feat. Som Andrade, Ramiro Galas e Manoel Cordeiro)
Extrago é uma música que eu tenho há bastante tempo. Sempre toquei ela no violão, especialmente com a formação feminina da minha banda. Queria que o EP também tivesse uma música mais lenta, mais romântica – ou melhor, mais introspectiva.
Essa canção fala sobre mulheres que saem sozinhas, tomam uma cerveja, escrevem, pensam… É algo que eu costumo fazer: sentar com meu caderninho e organizar as ideias. A letra fala dessa boemia poética que caminha comigo desde o início da minha trajetória e, novamente, da observação da noite e das mulheres que circulam por ela.
Quando fui tocar em Brasília, conheci o Son Andrade e o Ramiro Gallas (que hoje tocam na Lombada da Serpente). Tocamos juntos, e rolou uma conexão. Eles começaram a remixar minhas músicas e acabaram entrando na produção dessa faixa comigo.
O toque final veio com o Manoel Cordeiro, que gravou solos incríveis, com uma pegada de acordeon, que deram o brilho final à faixa. Extrago representa o lado mais sensível e maduro do EP – e é uma das minhas favoritas, aonde realmente posso dizer que é uma letra que sempre mexeu muito comigo, isso até me fazia ter certo medo de colocar ela no mundo, mas que bom que rolou e no final das contas as pessoas se identificam bastante com ela.
Voando com o J Som (REMIX) DJ Moisés Coelho & Fruto Sensual
A quinta faixa é um remix de Voando com o J Som, feito pelo DJ Moisés Coelho, que atualmente toca com a banda Fruto Sensual, ao lado da Valéria Paiva. Depois que finalizamos a versão original da faixa, Valéria mostrou pra ele, e ele se interessou em remixar.
Fiquei super feliz e me senti honrada por a música ter agradado a sonoridade da banda também – sou fã da Fruto Sensual, que tem uma importância imensa na história do brega paraense. O Moisés trouxe uma batida que lembra o auge do brega pop, lá pelos anos 2010–2012.
Essa faixa fecha o EP como um bônus especial, com a batida clássica das aparelhagens e com um carinho enorme por essa memória afetiva da música brega.
