Arlindo Cruz: “faço música para o povo e com a linguagem do povo” [COM VÍDEO]
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Arlindo Cruz. Reprodução Showlivre
Arlindo Cruz morreu no Rio de Janeiro nesta sexta-feira, 8 de agosto de 2025, aos 66 anos. A notícia foi confirmada por sua mulher, Babi Cruz
Por AD Luna
Em abril de 2009, tive a honra de entrevistar Arlindo Cruz, para o programa “Lançamentos”, do Showlivre, em São Paulo – onde trabalhava à época. O sambista estava em plena fase de divulgação do seu CD/DVD *MTV Ao Vivo*, projeto que reunia mais de três décadas de carreira em um só registro. Na conversa, ele falou citou as participações de Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Marcelo D2, que ajudaram-no a transformar o trabalho em um marco pessoal e artístico.
Perguntei como foi escolher o repertório, visto que o homem é cheio de hits. Arlindo confessou que essa talvez tivesse sido a parte mais difícil. “Deixei a produção cuidar disso, senão ia sofrer demais”, disse, rindo. Ainda assim, ele reconhecia que a seleção final retratava bem seu caminho. O DVD havia sido gravado na capital paulista, cidade que, segundo ele, recebia cerca de 80% de seus shows e que sempre o acolheu de braços abertos.
Na entrevista, Arlindo citou o povo. Dizia que não era artista elitizado, que fazia música “para o povo e com a linguagem do povo”, levando histórias da favela — onde nasceu e que tanto amava — para os palcos do Brasil. “Meu lugar é o caminho de algum coração”, afirmou. Para ele, essa era a função de um compositor popular: cantar a vida como ela é.
Arlindo Cruz morreu no Rio de Janeiro nesta sexta-feira, 8 de agosto de 2025, aos 66 anos. A notícia foi confirmada por sua mulher, Babi Cruz. Ele estava internado no hospital Barra D’Or, na Zona Oeste, e desde 2017, após sofrer um acidente vascular cerebral hemorrágico, vinha enfrentando complicações e internações. Não se apresentava mais, mas seguia sendo presença e inspiração para o samba.
A família divulgou um comunicado que resume bem o que ele representava: “Mais do que um artista, Arlindo foi um poeta do samba, um homem de fé, generosidade e alegria, que dedicou sua vida a levar música e amor a todos que cruzaram seu caminho. Sua voz, suas composições e seu sorriso permanecerão vivos na memória e no coração de milhões de admiradores.”
Ao lembrar daquela conversa no Showlivre, percebo que Arlindo já falava como quem sabia que o samba é maior que qualquer tempo de vida. Ele se colocava como elo entre gerações, unindo tradição e novidade, simplicidade e sofisticação. Era, ao mesmo tempo, a batida do tantã e o silêncio respeitoso da pausa antes do refrão.
Valeu, Arlindo. Obrigado por tanto samba, tanta emoção e por me ensinar, naquela tarde de 2009, que a verdadeira grandeza de um artista está em permanecer no coração do povo.
Assista à entrevista
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