Afinal, o ser humano veio do macaco? Spoiler: “não, mas….”

 Afinal, o ser humano veio do macaco? Spoiler: “não, mas….”

O divulgador científico Pirulla aborda uma das perguntas mais recorrentes nas salas de aula e debates sobre evolução: afinal, o ser humano veio do macaco?

Em vídeo publicado em seu canal, em 26 de setembro de 2024, o divulgador científico Pirulla aborda uma das perguntas mais recorrentes nas salas de aula e debates sobre evolução: afinal, o ser humano veio do macaco? A questão, comum entre professores de biologia e curiosos pelo tema, parte de um equívoco conceitual. A confusão surge da interpretação popular do conceito de ancestralidade comum, que não é tão simples quanto a frase sugere.

O termo “macaco” é amplo, variando conforme a percepção de cada pessoa: para uns, significa um sagui; para outros, um chimpanzé. A diversidade de primatas torna a pergunta ambígua. Mais adequado seria questionar “de qual macaco o ser humano descende?”, embora a resposta aponte que não descendemos de nenhum macaco atual, mas de um ancestral comum.

Para compreender a evolução, é essencial recorrer a definições precisas, especialmente na classificação taxonômica da zoologia e botânica, que organiza os seres vivos segundo suas características distintivas. Enquanto a diferenciação entre aves é evidente, em grupos com maior variedade de formas intermediárias, como os primatas, as definições exigem mais cuidado. A capacidade de descrever com clareza é, portanto, fundamental não só na ciência, mas na comunicação em geral.

Os primatas, grupo ao qual pertencemos, descendem de mamíferos ancestrais semelhantes a musaranhos, pertencentes ao clado Euarchontoglires — que engloba roedores, lagomorfos e primatas. Dentro desse grupo, há duas grandes divisões: Glires (roedores e lagomorfos) e Euarchonta (primatas, colugos e musaranhos arborícolas). Os colugos, conhecidos como lêmures voadores, são mamíferos planadores do Sudeste Asiático com características intermediárias entre primatas e outros euarcontas. Já os plesiadapiformes, fósseis do Eoceno, exibem traços mistos de musaranhos arborícolas e primatas, representando elos importantes na história evolutiva.

Na biologia, existem duas formas principais de definir um grupo: a filogenética, baseada no ancestral comum mais recente, e a anatômica, que se apoia em sinapomorfias — características compartilhadas derivadas de um ancestral. Nos primatas, essas incluem cérebro relativamente grande, órbitas ósseas fechadas, dentição específica, estrutura particular do ouvido, grande articulação nos membros, flexibilidade da coluna, polegar opositor, almofadas digitais com impressões e apenas duas glândulas mamárias.

Filogeneticamente, primatas são todos os descendentes do ancestral comum mais recente entre um lêmure e um ser humano. Atualmente, existem cerca de 478 espécies vivas, divididas em dois grandes grupos: Strepsirrhini, ou “nariz molhado” (lêmures e loris), e Haplorhini, ou “nariz seco” (társios, macacos do Novo Mundo e do Velho Mundo). Os macacos do Novo Mundo, ou platirrinos, habitam as Américas e usam a cauda preênsil na locomoção. Já os catarrinos, do Velho Mundo, vivem na África e Ásia e não utilizam a cauda para se mover. Dentro destes, estão os hominoides — macacos sem cauda — como gibões e hominídeos, grupo que inclui orangotangos, gorilas, chimpanzés, bonobos e humanos.

A frase “o ser humano veio do macaco” é, portanto, uma simplificação. Humanos e macacos atuais compartilham um ancestral comum, que provavelmente não se assemelhava a nenhuma espécie viva. Um exemplo possível é o Sahelanthropus tchadensis, fóssil que pode estar próximo ao ancestral comum entre humanos e chimpanzés, mas que não era idêntico a nenhum macaco moderno. A compreensão desse processo exige precisão na linguagem e no uso de conceitos científicos — evitando generalizações que distorcem a história da nossa origem.

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