5ª Jornada da Acessibilidade reúne atividades sobre arte, infância e direito à experiência em espaços culturais

 5ª Jornada da Acessibilidade reúne atividades sobre arte, infância e direito à experiência em espaços culturais

Foto: Tais Valencio

Programação do Observatório de Favelas, realizada no Galpão Bela Maré, promove encontros, oficinas, minicurso, sessão do CineBela e exposição para discutir práticas de acessibilidade em favelas e periferias

Pensar a acessibilidade cultural a partir das realidades de favelas e periferias é o ponto de partida da 5ª Jornada da Acessibilidadel, iniciativa do Observatório de Favelas, realizada no Galpão Bela Maré. Entre outubro e novembro, a programação reúne diferentes atividades para promover o compartilhamento de experiências, práticas e metodologias voltadas à inclusão de pessoas com deficiência nos espaços de arte e cultura. A proposta é ampliar o debate sobre as condições de acesso, circulação, permanência e participação no circuito cultural, considerando as especificidades dos territórios populares. A programação presencial acontece entre os dias 13 e 17 de outubro, no Galpão Bela Maré, e segue com duas atividades online em novembro. Todas as atividades são gratuitas.

Voltada a pessoas interessadas e atuantes nos campos da arte, cultura e educação, a Jornada cria espaços de encontro e reflexão coletiva sobre os desafios e as possibilidades de construção de práticas culturais mais acessíveis. Ao longo da programação, rodas de conversa, oficinas, minicurso, sessão do CineBela e exposição colocam em diálogo diferentes experiências e formas de pensar a acessibilidade para além das adaptações físicas, entendendo-a também como parte da experiência artística e da relação do público com os espaços culturais.

Em sua quinta edição, a Jornada tem como eixo as infâncias periféricas e de favelas e o direito à experiência e à autonomia das crianças com deficiência. A proposta parte da compreensão de que brincar, experimentar, participar, desenvolver a autonomia e acessar a educação e a cultura são dimensões importantes da experiência da infância. Nesse sentido, os espaços de arte e cultura são pensados também como territórios de interação e troca, capazes de acolher diferentes corpos, formas de percepção e maneiras de experimentar o mundo.

Entre as atividades está a exposição INVENTURANDO, com curadoria de Ana V. Lopes e Nicole Silva. A mostra reúne artistas cujas obras se aproximam das experiências plurais da infância e de diferentes formas de perceber, experimentar e se relacionar com o mundo. O título estabelece um diálogo entre inventar, aventurar e brincar, ações que atravessam a experiência infantil e abrem espaço para experimentar o mundo por outros caminhos.

A partir de diferentes linguagens e materialidades, as obras da exposição atravessam temas como memória e convivência e propõem distintas formas de aproximação com os trabalhos. Entre a experimentação tátil e o exercício da contemplação, a mostra amplia as possibilidades de relação do público com as obras e incorpora a acessibilidade como parte da própria experiência artística.

A programação também propõe diferentes formas de experimentar a acessibilidade por meio da criação e da participação. Na abertura, a ativação Riscos de Imaginação convida crianças e jovens a explorar o desenho a partir do gesto espontâneo e do uso do giz de cera, em uma experiência que pode resultar em registros para o painel coletivo da exposição ou para levar para casa. Já a Oficina Arruaça aproxima dança-performance, funk carioca e território em uma experiência inspirada nas memórias e manifestações festivas da infância.

As relações entre cuidado, educação e inclusão também atravessam a programação. A roda de conversa “Afeto e Parentalidade: a experiência da família atípica na sociedade” parte das experiências de familiares e responsáveis para discutir desafios, aprendizados e possibilidades construídos no cotidiano do cuidado e da educação de crianças atípicas. Já o minicurso “Do direito à Experiência: Educação inclusiva para as infâncias”, realizado em dois encontros, propõe uma reflexão sobre o direito das crianças à experiência da infância, articulando brincar, participação, autonomia, educação e cultura e considerando diferentes formas de viver e experimentar as infâncias.

O debate sobre representação e protagonismo de pessoas com deficiência no campo artístico aparece na roda “Cultura DEF: Representação e Identidade”, que reúne diferentes gerações para discutir experiências, linguagens, estéticas e produções culturais de pessoas com deficiência. A programação também conta com a mostra CineBela, com o filme Colegas e o Herdeiro, seguida de bate-papo com Eduardo Viana e mediação de Ana V. Lopes.

As experiências sensoriais e a relação das crianças com seus territórios também estão presentes nas oficinas. “Desbravando o Mundo: experimentações sensoriais para bebês” propõe um ambiente de exploração com diferentes texturas, materiais, aromas, sons e estímulos visuais. Em “Memórias em Isogravura”, os participantes transformam lembranças, sensações, afetos e experiências relacionadas aos seus territórios em desenhos e impressões. Já a oficina “Movimento e Representação: o brincar como prática anticapacitista” parte do conceito de corpo-território para pensar o anticapacitismo e o direito à cidade a partir do brincar e das diferentes formas de habitar o mundo.

A Jornada segue em novembro com duas atividades online. No dia 9, o Leitura Indica apresenta a atividade do Espaço de Leitura Indica “Joca E Dado e Por Que, Heloísa?”. No dia 16, o Sinalário do Bela aborda o tema “Autonomia”. As ações ampliam a programação para além dos encontros presenciais e integram o processo de construção de conteúdos acessíveis desenvolvido pelo Galpão Bela Maré.

A realização da Jornada também contribui para o desenvolvimento e a ampliação de práticas de acessibilidade no cotidiano do Observatório de Favelas e do Galpão Bela Maré. A partir do encontro entre profissionais, artistas, educadores, familiares e demais pessoas interessadas no tema, a iniciativa busca compartilhar experiências e construir estratégias que possam reverberar em outros espaços e ações do campo artístico-cultural.

A 5ª Jornada da Acessibilidadel integra o conceito anual Abrir Frestas, que orienta a atuação artística do Galpão Bela Maré a partir da compreensão da cultura como um bem social e do reconhecimento de favelas e periferias como espaços de socialização, fruição e potência criativa. Nesse contexto, discutir acessibilidade também significa ampliar as possibilidades de participação e permanência nesses territórios, valorizando seus saberes, experiências e diferentes formas de produção cultural.

A Jornada de Acessibilidade do Galpão Bela Maré  é apresentada pela Ministério da Cultura, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura e Observatório de Favelas.Tem patrocínio da Vale, Itaú Unibanco, PRIO e White Martins, por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet); e patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, Rede D’Or e Artplan por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS. Apoio Institucional do IJCA; Parceria: Produtora Automatica e SESC; Parceria Estratégica: Marcela Bronstein; Parceria Institucional: TradInter Lab; e é realizado pelo Observatório de Favelas e Ministério da Cultura.

 

Serviço | 5ª Jornada da Acessibilidade

Local: Galpão Bela Maré

Endereço: Rua Bittencourt Sampaio, 169 – Maré, Rio de Janeiro – RJ

Período presencial: 13 a 17 de outubro de 2026

Atividades online: 9 e 16 de novembro de 2026

Entrada: gratuita

 

Programação

13 de outubro | terça-feira

10h – Abertura da exposição INVENTURANDO, com palavra da curadora Ana V. Lopes e artistas

10h30 – Ativação Riscos de Imaginação

14h – Credenciamento

14h30 – Mesa de abertura

15h – Roda de conversa Afeto e Parentalidade: a experiência da família atípica na sociedade

16h30 – Coffee-break

17h – Palavra da curadora Nicole Silva + Oficina Arruaça

18h – Festa de abertura com show da Preta

 

14 de outubro | quarta-feira

10h – Minicurso – Dia 1: Do direito à Experiência: Educação Inclusiva para as Infâncias

13h às 14h – Almoço

14h – Mostra CineBela, com o filme Colegas e o Herdeiro, seguida de bate-papo com Eduardo Viana

16h – Coffee-break

 

15 de outubro | quinta-feira

10h – Minicurso – Dia 2: Do direito à Experiência: Educação Inclusiva para as Infâncias

13h – Coffee-break

 

16 de outubro | sexta-feira

11h – Oficina Desbravando o Mundo: experimentações sensoriais para bebês

13h às 14h – Almoço

14h – Roda de conversa Cultura DEF: Representação e Identidade

15h30 – Coffee-break

 

17 de outubro | sábado

11h – Oficina Memórias em Isogravura

13h às 14h – Almoço

15h – Oficina Movimento e Representação: o brincar como prática anticapacitista

15h30 – Coffee-break

 

9 de novembro | segunda-feira | online

Leitura Indica – Espaço de Leitura Indica “Joca E Dado e Por Que, Heloísa?”

 

16 de novembro | segunda-feira | online

Sinalário do Bela – Autonomia

 

Sobre o Galpão Bela Maré

O Galpão Bela Maré, projeto do Observatório de Favelas realizado em parceria com a Automática, é um espaço voltado à difusão, produção, mobilização, formação e fruição das artes e das expressões culturais através de suas mais variadas manifestações, visando, sobretudo, articular a produção artística periférica com o circuito da arte contemporânea no Rio de Janeiro. Inaugurado em 2011, consolidou-se como um espaço de referência na cidade para o debate do papel político da arte, especialmente no contexto das periferias.Sobre o Observatório de Favelas

 

Sobre o Observatório de Favelas

O Observatório de Favelas, criado em 2001, é uma organização da sociedade civil sediada no Conjunto de Favelas da Maré, com atuação nacional. A organização busca promover o direito à cidade e incidir sobre políticas públicas, valorizando as favelas e periferias como territórios de potência e direitos.

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